Serviço de Apoio à Vida ajuda aumentar doação de órgãos em Alagoas - CONASEMS
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Gestão | 30/12/2010

Serviço de Apoio à Vida ajuda aumentar doação de órgãos em Alagoas

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doacao_orgaosSalvar vidas. Esta é a missão do Serviço de Apoio à Vida (SAV) do Hospital Geral do Estado (HGE). A equipe, que trabalha no setor, luta 24 horas para que os pacientes neurológicos em estado grave, com suspeita de morte encefálica, tenham uma atenção especializada e humanizada. O diagnóstico preciso e a manutenção dos órgãos do possível doador têm contribuído para o aumento do número de transplantes de órgãos e tecidos realizados em Alagoas. Graças à criação do SAV, idealizado pela Secretaria Estadual de Saúde, o número de transplantes cresceu em Alagoas em 2010 se comparado aos anos anteriores.

O estado de Alagoas está capacitado para realizar transplantes de coração, rim e córnea. As cirurgias são realizadas desde a década de 80. No caso dos transplantes de rim, a cirurgia pode ser feita a partir da doação de pessoa viva. Em 2009, foram realizados 82 transplantes de córnea, um de coração, 11 de rim com doador vivo e 6 de rim com doador falecido. No total, no ano passado, foram realizados 100 transplantes no Estado. Até novembro desde ano – os números referentes ao mês de dezembro serão fechados apenas no próximo dia 31 – dão conta de 70 transplantes de córnea, dois de coração, 12 de rim com doador vivo e oito de rim com doador falecido. Ou seja, em 11 meses foram feitos 92 transplantes.

Os números mostram um aumento gradativo em transplantes em Alagoas. Em 2007, foram realizados 14 transplantes de córnea, 13 de rim com doador vivo e três de rim com doador falecido. Naquele ano, não houve transplante de coração em Alagoas. Em 2008, Alagoas conseguiu a marca de 51 transplantes de córnea, dois de coração, 11 de rim com doador vivo e quatro de rim com doador falecido.

No país, são feitos transplantes de pâncreas, fígado, pulmão, intestino, medula óssea, pele, ossos, vasos sanguíneos, ligamentos e músculos. De acordo com o gerente da Central de Transplantes, Carlos Alexandre Ferreira de Oliveira, mesmo que em Alagoas, não sejam feitos todos os tipos de transplantes, podem sair do Estado qualquer um desses órgãos para serem transplantados para pacientes de qualquer lugar do Brasil.

O sistema, que gerencia os transplantes, divide os receptores de órgãos em pacientes ativos (pessoas com totais condições de receber órgãos desde que sejam doados), pacientes semi-ativos (pessoas que temporariamente não podem receber órgãos por causa de alguma intercorrência a exemplo de uma pneumonia) e pacientes inativos (pacientes que tenham AIDS, por exemplo. Estes não são transplantados).

De acordo com o gerente da Central de Transplantes, Carlos Alexandre de Oliveira, Alagoas tem 200 pacientes na fila para receber rim, 140 para receber córnea e um para receber coração.Para conseguir um doador de órgão – se este for o desejo da família – a Central de Transplantes não espera apenas a notificação compulsória de morte encefálica feita pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT). Os profissionais da Central fazem também a busca ativa.

“A lista de receptores de órgãos é única, nacional e totalmente informatizada. A relação segue critérios legais para definir quem deve ser transplantado primeiro. Os órgãos recebem um cuidado especial, pois ficam algumas horas fora do corpo. Por isso, mesmo apesar de ser nacional, a lista de receptores segue critérios regionalizados. Não adianta a gente levar um coração para o Rio Grande do Sul se em Sergipe tiver um receptor. É claro que pela proximidade e pelo tempo em que um coração suporta ficar fora do corpo, o paciente de Sergipe será pontuado acima da média diante das possibilidades”, explicou Carlos Alexandre de Oliveira. Alagoas pertence à sub-região que abrange da Bahia ao Ceará.

Apesar de todos os esforços da Central de Transplantes, do SAV, do empenho pessoal do secretário de Estado da Saúde, Herbert Motta, e do aumento no número de doações de órgãos, Alagoas ainda precisa avançar no número de transplantes. Segundo a Organização Internacional de Transplantes (OIT), o ideal é que, a cada ano, haja 10 doadores por um milhão de habitantes. A maior média pertence à Espanha com uma taxa de 35. Alagoas tem 1,9. “As internações prolongadas afastam a possibilidade de potenciais doadores. Paradas cardíacas ocorrem com mais frequência nas primeiras 48 horas de internação. Neste momento, perdem-se 50% dos doadores em potencial”, ensinou.

A abordagem à família do potencial doador é feita por uma equipe composta por médico, psicólogo, enfermeiro e assistente social. O contato é feito com parentes de até 2º grau. São consultados pais, filhos, irmãos, cônjuge e tios. A Central de Transplantes funciona 24 horas por dia, inclusive aos sábados, domingos e feriados. O contato pode ser feito pelo telefone 3376-8186.

SAV – O Serviço de Assistência à Vida tem a função de estabilizar o paciente que possa ser potencial doador de órgãos e tecidos, realizar o diagnóstico e manter os familiares bem informados sobre a situação. O SAV identifica os possíveis pacientes de morte encefálica para realizar o acolhimento e os esclarecimentos necessários à família do paciente.Considerado pioneiro em hospitais públicos do Nordeste, o serviço disponibiliza leitos para acolher os pacientes, que geralmente são vítimas de Traumatismo Cranioencefálico (TCE), Acidente Vascular Cerebral (AVC) e tumores cerebrais.

Desde 1989, o AVC está no topo da lista de óbitos registrados no HGE. A taxa de mortalidade no HGE acompanha a média nacional dos grandes hospitais de traumas. O Hospital Geral do Estado (HGE) registra, durante uma semana, o atendimento de aproximadamente 2,5 mil pacientes, apresentando, em sua maioria, complicações decorrentes de casos clínicos, agressões, acidentes casuais, de trânsito e de trabalho.

A qualidade do atendimento no HGE é responsável por 90% de vidas salvas. Os números apontam o alto índice de resolutividade na assistência à saúde prestada pela equipe multiprofissional do único hospital do Estado que atende exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O SAV é um serviço essencial para um hospital de urgência e emergência, devido ao grande número de casos de TCE e AVC registrados diariamente.

A médica intensivista do SAV, Kátia Arruda, explicou que a morte encefálica é a perda definitiva e irreversível das funções cerebrais e seu diagnóstico é baseado num rígido protocolo do Ministério da Saúde (MS), utilizado em todo o País. Para que o paciente tenha esse diagnóstico, são realizados dois exames clínicos com intervalos de seis horas – sendo um pelo médico neurologista e outro pelo intensivista, além de um exame complementar.

Desde que foi inaugurado, há seis meses, o SAV recebeu 22 pacientes com suspeita de morte encefálica e conseguiu a captação de cinco doadores de órgãos. “O que significa que sem o SAV, Alagoas teria tido cinco transplantes a menos neste ano”, destacou Kátia Arruda. O serviço é formado por uma equipe multidisciplinar composta por médicos intensivistas, enfermeiras intensivistas, técnicos de enfermagem, assistente social, psicólogas e fisioterapeuta. A médica intensivista afirmou que o SAV é a unidade de cuidados intensivos para um potencial doador de tecidos e órgãos para transplante.

“É o setor especializado para manutenção e diagnóstico do paciente com a morte encefálica. O fator decisivo para que a família aceite fazer a doação de órgãos é a sensação de acolhimento que eles têm no SAV e no HGE como um todo e o estado de Alagoas têm pessoas extremamente envolvidas com a causa da doação de órgãos”, afirmou.

Ainda de acordo com Kátia Arruda, o Serviço de Apoio à Vida é um setor de suporte avançado de vida para o bom funcionamento orgânico dos órgãos do paciente com suspeita de morte encefálica para viabilizar o transplante em casos de concordância da família. “Sabemos que é um momento extremamente delicado. No entanto, o SAV não pode nem deve ser visto com um setor que só pensa em fazer doação, só têm interesse em fazer transplantes. O SAV é um setor para otimizar a realização de transplante se a família assim desejar”, frisou.

Segundo Kátia Arruda, quando a família está consciente do quadro clínico do paciente e sabe que pode contar com uma equipe de profissionais que atua de forma neutra para esclarecer as possíveis dúvidas, as chances da doação de órgãos aumentam.”Quando o diagnóstico de morte encefálica é estabelecido, um membro da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) que acompanha todo o processo inicia a abordagem aos familiares. O trabalho desenvolvido no SAV segue critérios rigorosos para garantir que o paciente permaneça em condições clínicas favoráveis para uma possível doação”, salientou Kátia Arruda.

Os critérios para o diagnóstico são respaldados pela Resolução CFM nº 1.480/97; Lei Federal nº 9.434 de fevereiro de 1997; Resolução 196/96 Conselho Nacional de Saúde; Parecer do Conselho Federal de Medicina 7.311/97; Lei Federal 10.211 de março de 2001.”O SAV é um setor humanizado. Nele a família recebe orientação e  esclarecimentos sobre o estado clínico/neurológico do paciente, as visitas são permitidas com maior freqüência e existe ainda o acolhimento do familiar”, finalizou a médica Kátia Arruda.

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Saúde de Alagoas

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