Especial Brasil, aqui tem SUS: Cooperação entre a prefeitura de Quissamã-RJ e a Universidade no enfrentamento da Covid-19 - CONASEMS

Especial Brasil, aqui tem SUS: Cooperação entre a prefeitura de Quissamã-RJ e a Universidade no enfrentamento da Covid-19

Os grandes centros urbanos foram os primeiros lugares onde os casos de Covid-19 se multiplicaram no Brasil. A interiorização da pandemia exigiu das pequenas cidades a reorganização do cuidado para evitar a disseminação rápida da doença, considerando a falta de infraestrutura e o baixo índice de desenvolvimento humano de muitos desses municípios. Diante do fluxo de informações desencontradas, a gestão de saúde de Quissamã (RJ), município de 24.700 habitantes localizado no norte fluminense, decidiu realizar um convênio com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para ter maior segurança no controle da pandemia.

“Desde o final de março de 2020, a Prefeitura Municipal tem reunido esforços intersetoriais, envolvendo as áreas de assistência social, educação, comunicação e economia, para enfrentar a doença. Mas precisávamos também de um respaldo da academia, sobretudo pela avalanche de informações contraditórias sobre sintomas, mortes e tratamentos, o que resultou nessa parceria com a UFRJ”, relata a coordenadora de planejamento e gestão de saúde, Delba Machado Barros. Ela passou a integrar o Grupo de Trabalho sobre Covid da universidade.

Com o auxílio da UFRJ, foram instituídas algumas frentes de atuação. A primeira delas refere-se à abertura de um processo de educação permanente com as equipes de saúde da família que atuam na Atenção Primária, como enfermeiros, auxiliares de enfermagem e agentes comunitários de saúde. A educação permanente tem permitido, através da escuta, construir um saber comum, onde a discussão de temas como o medo da morte tem ajudado a enfrentar os desafios. “O projeto foi importante para os profissionais, pois colaborou muito em um momento de incertezas. Foi estabelecido um vínculo de confiança em uma fase muito delicada”, afirma a coordenadora da Estratégia Saúde da Família (ESF), Milena da Paixão Gonçalves. A ESF oferece cobertura para 100% da população do município.

Monitoramento

Além da Atenção Básica, uma parceria entre universidade e Vigilância tem contribuído para melhorar a captação das informações e consequentemente ajudado na tomada de decisão. Foi criado um painel de vigilância epidemiológica, onde é possível monitorar os casos, aferir o distanciamento social e avaliar as taxas de letalidade e mortalidade dos moradores frente à situação de pandemia. “A Sala de situação permite acompanhar o comportamento da doença e apontar o nível de distanciamento social da população por satélite, através do posicionamento dos celulares. Esse índice de isolamento é correlacionado com o número de casos”, afirma Delba.

Quissamã possui nove unidades básicas de saúde. Com a pandemia, foi criado um Centro de Triagem Respiratória (CTR) para receber pacientes sintomáticos e um hospital de campanha com dez leitos, incluindo de UTI. Até o dia 18 de setembro, 438 pessoas haviam testado positivo e 17 morreram em consequência da doença. Com a redução dos casos, o hospital de campanha foi desativado e os atendimentos eletivos que haviam sido suspensos foram retomados. A população que se retraiu com medo de comparecer às unidades de saúde, sobretudo portadores de doenças crônicas, está sendo estimulada a buscar as unidades de saúde.

Vigilância em Saúde

Para realizar o processamento e análise dos dados, foi criado um Núcleo Interinstitucional de Informação em Saúde. Por meio de telemonitoramento, todo paciente em atendimento no CTR é acompanhado até o momento da alta.  A Vigilância Epidemiológica também ampliou o escopo do seu trabalho através de um softwear que além de monitorar os casos positivos e suspeitos, reúne dados sócio-econômicos como acesso a água e moradia. Avaliar as condições sanitárias contribui para planejar medidas de proteção.

A gestão solicitou ainda da UFRJ a realização de uma pesquisa para verificar a soroprevalência, denominada EPICOVID-19, que é originária da Universidade Federal de Pelotas. “A pesquisa de prevalência do Covid foi extremamente relevante pois aproximou da pesquisa os profissionais da Estratégia Saúde da Família, através do apoio da universidade. Ao mostrar a incidência de Covid-19 no município de Quissamã, houve subsídios para a gestão planejar as ações em relação à pandemia”, constatou a coordenadora da ESF, Milena da Paixão.

“A universidade, com sua velocidade na produção de informações, nos ajudou a enfrentar o grande escuro com a chegada da doença”, reconhece a médica sanitarista e membro da Epidemiologia do município, Tereza Cristina Cabral. A parceria tem sido tão positiva, que a gestão tem planos de continuidade para um período pós Covid-19. “Essa profícua relação com a universidade se estende para além da pandemia. A ideia é que a UFRJ possa continuar dando apoio em novas frentes de trabalho”, complementa Delba. A experiência foi selecionada para a terceira live da I Mostra Virtual Brasil, aqui tem SUS.

Confira abaixo o vídeo com a transmissão ao vivo:

Texto: Giovana de Paula, colaboradora externa do Conasems

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