Especial Brasil, aqui tem SUS: ações de enfrentamento à Covid-19 em Campo Grande - CONASEMS

Especial Brasil, aqui tem SUS: ações de enfrentamento à Covid-19 em Campo Grande

A incorporação da tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS) vem pautando um debate antigo que envolve a possibilidade de ampliação do acesso aos serviços de saúde, maior controle e monitoramento das políticas públicas e transparência no uso das informações. Por uma série de dificuldades estruturais, esse processo não vem avançando na velocidade esperada, mas o surgimento da pandemia expôs a necessidade de construir soluções onde o uso da tecnologia é urgente. Em Campo Grande – MS, foi desenvolvida uma ferramenta de monitoramento dos casos da covid-19, suspeitos ou confirmados, para auxiliar na tomada de decisões e sobretudo ouvir as necessidades dos usuários, diminuindo o distanciamento entre a população e o poder público.

Partindo da indagação sobre as condições de saúde individuais, os usuários são convidados a responder a um questionário online, que o direciona a diferentes campos, dependendo das suas especificidades. Esse sistema de triagem para a covid-19 foi criado por profissionais de saúde e tecnologia, de acordo com protocolos médicos. Ele não substitui nenhuma ferramenta tradicional de investigação, mas contribui com a qualidade no uso das informações. De acordo com a resposta do cidadão, ele é orientado a tomar algumas medidas. Pacientes que não têm sintomas da doença, por exemplo, mas tiveram contato com alguém que testou positivo, recebem um tipo de encaminhamento. Gestantes ou pessoas acima de 60 anos são direcionadas a outras formas de acompanhamento.

A primeira coisa a ser verificada é a existência de possíveis sintomas, como a presença de febre, dor de garganta, tosse frequente, dentre outros.  Depois, a ferramenta web busca verificar se aquele usuário possui alguma comorbidade, como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares. Dependendo do resultado desse prontuário eletrônico, as demandas são organizadas de acordo com uma classificação de risco. Pessoas assintomáticas recebem orientações preventivas e são incentivadas a fazer uma nova triagem caso venham a sentir algo novo. Cada usuário faz o seu próprio cadastro uma única vez, tendo preservada a sua privacidade, e pode voltar a consultar o sistema a cada seis horas. Para acessar o aplicativo, que possibilita inclusive verificar o histórico de consultas anteriores, basta inserir CPF e senha cadastrada.

As pessoas classificadas como “provável sintomático” passam a ser acompanhadas de forma virtual e os casos “sintomáticos” são aconselhados a procurar um serviço médico. “Dependendo do caso, depois da triagem o médico entra em contato e gerencia o paciente. Por mais que esteja assintomático, se o indivíduo consultar o sistema três vezes, vamos procurá-lo para ver o que precisa”, explica Paulo Fernando Garcia Cardoso, diretor-presidente da Agência Municipal de Tecnologia da Informação e Inovação (AGETEC), uma autarquia da administração indireta do município responsável pela criação do sistema.

Além do módulo voltado ao usuário, o sistema traz também um módulo médico onde os dados dos pacientes ficam disponibilizados em um grande painel de informações. Esses prontuários eletrônicos entram no sistema de monitoramento da Secretaria de Saúde, criando subsídios para a tomada de decisão. O sistema também possibilita o planejamento de ações em âmbito coletivo porque as informações geram um mapa de calor da pandemia, de acordo com os endereços especificados no cadastro, permitindo que a gestão promova um trabalho de desinfecção, acolhimento, monitoramento dos idosos e grupos de risco, dentre outros.

“O sistema tem sido uma ferramenta fundamental no rastreio e monitoramento dos pacientes e contribuído significativamente com a construção e análise dos índices epidemiológicos. Dessa forma, auxilia na tomada de decisões e na melhoria da qualidade da informação. Isso certamente traz um resultado direto na assistência ao paciente, uma vez que por se tratar de uma doença nova e com risco de evolução inesperada, é de suma importância que a gente tenha esse tipo de monitoramento”, reconhece o secretário municipal de saúde, José Mauro Pinto de Castro.

Para que o sistema funcione bem, a Prefeitura tem investido na melhoria da infraestrutura de redes, instalação de computadores nas unidades de saúde e integração dos sistemas de informação estadual e municipal. “Nunca deixamos essa ferramenta fechada. Já transferimos a tecnologia para muitos municípios aqui do Estado e estamos prontos para doar para outros Estados. De fácil parametrização, está disponível a muita gente”, afirmou Paulo.

Campo Grande tem 850 mil habitantes. Dividida em sete regiões, reúne mais de 150 unidades de saúde. De acordo com o boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde, a capital do Mato Grosso do Sul tinha, no dia primeiro de setembro, 21.902 casos confirmados da doença, dos quais 20.530 pacientes foram recuperados.  Mais de mil pessoas estão sendo triadas pelo aplicativo.

A experiência foi apresentada durante a 2ª Roda de Conversa da I Mostra Virtual Brasil, aqui tem SUS. Confira a transmissão ao vivo no vídeo abaixo:

 

Texto: Giovana de Paula, colaboradora externa

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