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Atenção à saúde | 10/09/2019

Setembro Amarelo: suicídio mata uma pessoa a cada 40 segundos no mundo

Em um relatório divulgado nesta segunda-feira (9) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa se suicida a cada 40 segundos, no mundo. Número que, conforme destaca o relatório, não representa fielmente a realidade, já que, para cada morte devidamente registrada, há muitas outras tentativas e óbitos que não chegam a ser contabilizados como suicídios. A organização alerta sobre a necessidade dos governantes mundiais estabelecerem estratégias nacionais, instituindo medidas preventivas e orientações claras para auxiliar a população a lidar com o tema, que costuma ser encoberto por uma nuvem de preconceitos e incompreensão.

Dos 183 países integrantes da Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas 38 pesquisados pelo organismo, entre eles o Brasil, contam com uma estratégia nacional de prevenção ao suicídio. Embora represente um aumento de quase 35% em comparação aos 28 países que, já em 2014, tinham estabelecido políticas públicas para lidar com o tema, o resultado ainda é considerado insuficiente pela OMS.

Segundo a OMS, apenas 80 dos 183 países-membros da organização dispõem de informações de “boa qualidade” sobre o tema, o que dificulta a elaboração de uma estratégia nacional eficaz. Ainda de acordo com a OMS, 79% de todos os casos mundiais se concentram em países de baixa renda – ainda que, por razões demográficas, as maiores taxas de casos por cada grupo de 100 mil habitantes tenham sido registradas nos países desenvolvidos e de maior poder aquisitivo, diz a organização.

 

Jovens

O autoextermínio já é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, atrás apenas dos acidentes de trânsito, segundo a OMS. Globalmente, se analisados os gêneros, o suicídio é a segunda causa de mortes entre meninas de 15 a 19 anos (depois de problemas decorrentes da maternidade) e a terceira entre garotos da mesma faixa etária (superada por acidentes de trânsito e por casos de agressão).

Após avaliarem experiências bem-sucedidas em diversas nações, os responsáveis pelo relatório apontam que as formas mais eficazes de reduzir o número de suicídios incluem medidas para dificultar o acesso a alguns meios de se matar; a sensibilização dos meios de comunicação sobre a importância de abordar o assunto da forma correta; a oferta de programas que ensinem os jovens a lidar com as frustrações e problemas cotidianos e a identificação de pessoas sob risco, oferecendo-lhe todo o apoio necessário.

Dentre as medidas, a OMS destaca as restrições ao livre acesso a pesticidas como a mais eficaz, já que a letalidade desses produtos é muito alta. Dados internacionais apontam que a proibição dos produtos mais perigosos à saúde humana contribuiu para a redução das taxas de suicídio em vários países, como o Sri Lanka, onde, segundo a OMS, uma série de medidas restritivas reduziram em cerca de 70% a taxa de suicídio, ajudando a salvar em torno de 93 mil vidas entre 1995 e 2015. Outra fonte de preocupação dos especialistas em todo o mundo é o acesso às armas de fogo.

 

Renda

A OMS ressalta que, embora a ligação entre suicídio e transtornos mentais, particularmente transtornos relacionados à depressão e ao uso de álcool, esteja bem documentada em países com renda elevada, muitos suicídios ocorrem impulsivamente durante tempos de crise que minam a capacidade de enfrentar as tensões da vida, como problemas financeiros, quebra de relacionamento ou dor e doença crônica.

Além disso, experiências relacionadas a conflitos, desastres, violência, abuso, perdas e sentimentos de isolamento estão intimamente ligadas ao comportamento suicida. As taxas de suicídio também são altas entre grupos vulneráveis sujeitos a discriminação, por exemplo, refugiados e migrantes; comunidades indígenas; pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, intersexuais e presos.

Desde 2006, quando foi publicada a Portaria nº 1.876, o Brasil conta com diretrizes para a prevenção ao suicídio. A norma estabelece que as medidas devem ser implantadas em todas as unidades da federação e incluir, entre outras ações, medidas de promoção de qualidade de vida, de educação, de proteção e de recuperação da saúde e de prevenção de danos, a fim de fazer frente aos casos de suicídios, classificados como “um grave problema de saúde pública, que afeta toda a sociedade e que pode ser prevenido”.

No ano de publicação da portaria, o Ministério da Saúde apontava o “aumento observado na frequência do comportamento suicida entre jovens entre 15 e 25 anos, de ambos os sexos, escolaridades diversas e em todas as camadas sociais”, como uma razão para a adoção de diretrizes nacionais.

 

Confira os Webdocs Brasil, aqui tem SUS que retratam experiências exitosas de CAPS de vários estados do país:

Webdoc Brasil, aqui tem SUS – São Pedro do Piauí

O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de São Pedro do Piauí realizou buscativas de pessoas com transtornos mentais que eram mantidas em cárceres domiciliares. Esses usuários foram inseridos em atividades de psicoterapia e tratamento com profissionais de saúde, o que possibilitou o resgate da autonomia e o convívio social.

 

Webdoc Brasil, aqui tem SUS – Ourinhos – SP

O projeto “Da Dimensão Terapêutica à Forma de Resistência: relatos Sobre Uma Oficina de Hip Hop no CAPS Renascer da Fênix“ promove oficinas de hip hop e grafite para usuários do CAPS AD em parceria com coletivos culturais da cidade. As atividades inovadoras do CAPS integram um conjunto de ações em prol da saúde mental e ressocialização dos pacientes, que também têm acesso a atendimentos em grupo e individuais com psicólogos e psiquiatras.

 

Webdoc Brasil, aqui tem SUS – Campos de Júlio – MT

O projeto Reciclarte, da Secretaria Municipal de Saúde de Campos de Júlio – MT, promove oficinas terapêuticas de artesanato para pessoas com problemas de saúde mental. A Unidade de Atenção Psicossocial (UAPS) recebe pacientes encaminhados pela UBS e oferece, além das oficinas, acompanhamento psicológico.

 

Webdoc Brasil, aqui tem SUS – Porto Seguro – BA

O Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS AD) de Porto Seguro, na Bahia, promove a reinserção social dos usuários através da oferta de cursos de capacitação, vagas de emprego em empresas e instituições parceiras, além de atividades físicas, arteterapia e acompanhamento com a equipe de saúde multiprofissional

 

Webdoc Brasil, aqui tem SUS – Riachão do Jacuípe – BA

Por meio da ação itinerante, profissionais do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) atendem em comunidades da região levando assistência aos pacientes com transtornos mentais que não têm condições de frequentar o CAPS na sede do município. O trabalho visa principalmente integrar a Atenção Básica e a Saúde Mental.

 

Webdoc Brasil, aqui tem SUS – Santa Bárbara – BA

Entre os meses de setembro e dezembro de 2018, foram registrados 13 tentativas de suicídio e quatro suicídios de jovens entre 14 e 21 anos em Santa Bárbara-BA, o que assustou não apenas os moradores, mas as equipes de saúde locais. O episódio “Escuta Sensível – prevenção do suicídio em jovens” conta como a Secretaria Municipal de Saúde reorganizou a Atenção Básica local para realizar ações de promoção, prevenção e combate ao suicídio. Além de terapia em grupo nas escolas, o projeto aproximou o CAPS da população e criou uma rede de cuidado e atenção coletiva no município.

 

Via Agência Brasil