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Notícias | 03/09/2020

Setembro Amarelo: Como cuidar de quem cuida em tempos de pandemia?

Conheça experiências exitosas relacionadas a saúde mental do trabalhador do SUS 

A principal recomendação feita por instituições governamentais como a Organização Mundial de Saúde (OMS) para conter a propagação do Coronavírus é respeitar regras de distanciamento social. No entanto, se manter em casa a maior parte do tempo não é uma realidade possível para muitas categorias profissionais, em especial os trabalhadores da saúde. Os riscos e as implicações psicológicas as quais esses profissionais estão submetidos ganham relevância maior no mês atual, já que no Brasil foi instituída desde 2015 a campanha Setembro Amarelo, cujo objetivo é desenvolver ações de prevenção ao suicídio. Dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

Segundo dados de 2019 da OMS, a cada 40 segundos uma pessoa no mundo comete suicídio, o que representa cerca de 800 mil mortes por ano. Ainda não se tem uma estimativa de quanto a pandemia tem afetado a saúde mental da população mundial, mas no caso dos trabalhadores da saúde há muitas evidências que indicam o alto grau de exposição à contaminação, que aliada à pressão psicológica e à sobrecarga de trabalho, tem trazido transtornos emocionais diversos. 

A I Mostra Virtual Brasil, aqui tem SUS, promovida pelo Conasems, tem estimulado os municípios a compartilharem experiências relacionadas ao enfrentamento da Covid-19. dezenas de trabalhos que abordam a temática da saúde mental foram selecionados.

É o caso da experiência do Distrito Sanitário Pau de Lima, de Salvador-BA, escolhida pela comissão avaliadora da Mostra como o trabalho de maior destaque no estado. Com a pandemia, a Secretaria Municipal de Saúde instituiu uma rede de amparo, criando Núcleos de Apoio e Atendimento ao Trabalhador (NAAT) nos 12 distritos sanitários do município. A proposta se consolidou no Distrito Sanitário Pau de Lima com o remanejamento de profissionais que atuam nas atividades ambulatoriais suspensas em decorrência da Covid-19. Formou-se então uma rede de cuidado multiprofissional, envolvendo a atuação de médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais, educadores físicos e profissionais ligados às práticas integrativas e complementares.

Embora os trabalhadores da saúde recebam um atendimento amplo, há uma preocupação central relacionada aos problemas de saúde mental. De acordo com o psicólogo André Bonfim Dias, um dos coordenadores do projeto, para identificar esses profissionais em situação de sofrimento mental, foi realizada uma “busca ativa”, com a ajuda dos gerentes das 17 unidades de saúde ligadas ao distrito, por meio de um questionário virtual que visava reconhecer pessoas com sintomas de estresse, ansiedade e depressão.

Do total de 235 pessoas que responderam ao questionário (35%), 83 estão sendo assistidas de forma virtual ou presencial. Aproximadamente 7% delas apresentaram ideia suicida ou têm histórico de tentativa de suicídio. Foi o caso da auxiliar de saúde bucal, Norma Ingrid de Jesus, que relatou suas dificuldades em lidar com a crise depressiva, o que impulsionava o desejo de cometer suicídio. Com o trabalho do grupo, ela vem se recuperando das sensações de medo e ansiedade. “A equipe me acolheu e foi muito importante porque minha vida mudou bastante depois disso”, relata.

Experiência semelhante foi desenvolvida no município de Viçosa, em Alagoas. A coordenadora técnica do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), Rochelly Carnaúba Amorim, conta que em março, quando a pandemia tornou-se mais expressiva no país, a gestão manifestou grande preocupação com os profissionais de saúde, sobretudo os que atuavam na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) por receber um grande contingente de pessoas com sintomas de covid-19. “Diante de rotinas permeadas por estresse, medo e insegurança, que são fatores de risco para o adoecimento mental, muitos trabalhadores da UPA entraram em pânico. A construção de estratégias de cuidado, realizadas de abril a junho, tinha por objetivo proporcionar momentos de reflexão e orientação para o equilíbrio mental e emocional”, relata Rochelle.

O projeto foi desenvolvido por meio de rodas de conversa envolvendo a atuação de quatro psicólogas, cujo objetivo central era ouvir os profissionais de saúde. A experiência foi significativa para muitos trabalhadores, como relata a assistente social da UPA, Lidiane Moraes. “É bom saber que o município se preocupou com nossa saúde mental nesse momento e as meninas desenvolveram o trabalho de forma muito eficiente e sensível”, agradece. O trabalho foi se expandindo e envolveu também a participação de profissionais das unidades básicas de saúde, da atenção hospitalar e vigilância. A experiência tirou o primeiro lugar na Mostra Virtual de Alagoas e foi escolhida como a melhor do estado na I Mostra Virtual Brasil, aqui tem SUS, promovida pelo Conasems.

Assista a Roda de Conversa Virtual com a apresentação das experiências citadas no texto e outras que foram selecionadas:

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