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Gestão | 10/09/2020

Prevenção ao suicídio: a importância da valorização da pauta da saúde mental

O Setembro Amarelo coloca em evidência uma série de pautas de saúde mental  que são negligenciadas ao longo do ano. A incorporação e consequente popularização das discussões sobre saúde mental são fundamentais para quebrar preconceitos e mostrar ofertas de ajuda para quem precisa. 

Ao longo do mês, algumas datas propõem novas reflexões sobre o assunto e o senso de urgência que a questão da saúde mental deve ser tratada. 10 de setembro, por exemplo, é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, elencada pela Organização Mundial da Saúde como a segunda maior causa de morte no mundo em pessoas que tenham entre 15 e 29 anos. De acordo com o Ministério da Saúde, esse índice é ainda mais grave na população negra: o risco de suicídio na faixa etária de 10 a 29 anos é 45% maior entre jovens que se declaram pretos e pardos do que entre brancos. 

A experiência do suicídio não está restrita aos grandes centros urbanos e tem causado alerta em profissionais de saúde de cidades de médio e pequeno porte. No município baiano de Santa Bárbara, com população estimada em 20 mil habitantes, o ano de 2018 foi marcado por um agravamento coletivo na saúde mental dos adolescentes locais. Entre os meses de setembro e dezembro de 2018, foram registrados 13 tentativas e quatro suicídios de jovens entre 14 e 21 anos no município baiano, o que assustou não apenas os moradores, mas as equipes de saúde locais. 

Diante deste cenário, a Secretaria Municipal de Saúde reorganizou a Atenção Básica local e deu início a uma série de ações de promoção, prevenção e combate ao suicídio. Além de terapia em grupo nas escolas, o projeto aproximou o CAPS da população e criou uma rede de cuidado e atenção coletiva no município. 

“Nós saímos dos consultórios e fomos até as escolas para oferecer educação emocional, que é uma coisa que esses adolescentes nunca tinham tido contato. Nós conversávamos em grupo sobre ansiedade, depressão, sexualidade, violência e vários outros assuntos que fazem ou podem fazer parte da vida deles”, explica a psicóloga e coordenadora do projeto, Jade Ísis de Sousa. 

Essa experiência foi premiada na 16ª Mostra Brasil, aqui tem SUS e você pode conferi-la abaixo. 

 

Educar para prevenir

No âmbito do Governo Federal, nesta quinta-feira (10), foram lançadas as Ações de Educação em Saúde em Defesa da Vida, uma série de atividades educativas, itinerantes e on-line que contemplam a realização de quatro ciclos de promoção e prevenção em saúde. No primeiro ciclo, as ações são voltadas à prevenção do suicídio e da automutilação. 

As atividades incluem cursos a distância, encontros, palestras e elaboração de materiais para ampliar o atendimento em saúde, a formação nas escolas e nas comunidades. O objetivo é qualificar o conhecimento de profissionais da área, conselheiros tutelares, professores, líderes sociais, religiosos e de entidades beneficentes, tornando-os multiplicadores da prevenção. 

Os conteúdos educativos estão disponíveis no site prevencaoevida.com.br, onde as inscrições para as atividades já estão abertas e de forma gratuita. O portal também abriga cartilhas e videoaulas. O público-alvo são adolescentes entre 11 e 18 anos e multiplicadores.

 

A importância do acolhimento 

Um dos pontos altos nos cuidados em saúde mental é proporcionar ao paciente conforto e bem-estar no trato de doenças mentais. Partindo deste princípio, a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Firme – MG adotou um novo modelo de acompanhamento multiprofissional de moradores diagnosticados com depressão, ansiedade e outras síndromes. 

O esforço para reduzir as internações psiquiátricas levou médicos e enfermeiros para dentro das casas dos pacientes. Cerca de 50 usuários recebem visitas quinzenais da equipe multidisciplinar e de estagiários de medicina da Universidade Federal de Viçosa-MG. 

“Qualquer alteração no quadro psiquíco deles, a família entra em contato com o Agente Comunitário de Saúde, que avisa a equipe de saúde e nós vamos imediatamente até ele. Nós acompanhamos de perto e o objetivo é diminuir o número de internações e tratá-lo no lar dele, com o máximo de dignidade e carinho que qualquer pessoa merece”, explica Nidson Rodrigues, médico em UBS. 

Essa experiência foi premiada na 16ª Mostra Brasil, aqui tem SUS e você pode conferi-la abaixo:

Se você precisa de ajuda, não deixe de pedir apoio. O Centro de Valorização da Vida funciona 24 horas por dia no telefone 188

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