Orientações técnicas

Atualizações das indicações da vacina febre amarela no Calendário Nacional de Vacinação


A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou as recomendações para imunização contra Febre Amarela em razão de evidências científicas sobre a eficácia da vacinação única.

Em uma revisão realizada em 2015 pelo Comitê Assessor de Imunizações (ACIP) do Centro de Controle de Doenças (CDC), foram identificados 18 casos na literatura de falha vacinal, sendo que 89% destes ocorreram em vacinados há menos de 10 anos. Com relação à persistência de anticorpos neutralizantes, foi estimado que 92% (IC:85%–96%) dos indivíduos se mantinham soropositivos após 10 anos da vacinação e 80% (IC: 74%–86%) após 20 anos. Não foram identificadas diferenças na soroconversão de crianças quando comparados com adultos nesta revisão, no entanto estes estudos não avaliaram a resposta imune em longo prazo.

Em um ensaio clínico randomizado multicêntrico realizado no Brasil, comparando a imunogenicidade de crianças de 9 (nove) a 23 meses de idade às vacinas 17DD ou 17D-213/77, a soroconversão foi de 84.8% e 85.8% respectivamente, sendo esta taxa inferior àquela encontrada habitualmente em adultos. A divergência nesse achado quando comparado com o encontrado na revisão da ACIP pode ser justificada por diferenças nas características da população, bem como nas diferenças metodológicas entre os diversos estudos.

Outros dois estudos brasileiros publicados no ano de 2019 também identificaram queda precoce nos títulos de anticorpos neutralizantes, na imunidade celular e na memória imune em crianças vacinadas entre os 9 (nove) a 24 meses de idade. Após 4 (quatro) anos da vacinação menos de 60% das crianças apresentavam títulos de anticorpos neutralizantes acima do valor considerado protetor.

Portanto, considerando a existência de evidências que demonstram: o relato de casos de falhas vacinais; a queda mais precoce da imunidade nas pessoas vacinadas quando crianças; evidência sugerindo menor resposta imune nas crianças brasileiras; um risco significativamente reduzido de eventos adversos graves após doses adicionais da vacina; entende-se ser necessário atualizar a recomendação atual de vacinação para febre amarela no Brasil, com a inserção de uma dose de reforço da VFA, a ser realizada aos 4 (quatro) anos de idade. Vale ressaltar que, no intuito de resgatar as crianças que tenham recebido até o ano de 2017 apenas uma dose da vacina antes de completar 5 (cinco) anos de idade, essa criança deverá receber a dose de reforço.

 

Para saber mais informações, contatar o Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis – DEIDT, pelo telefone (61) 3315-3646.