O SUS deu certo aqui, por João Ghizzo Filho - CONASEMS
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Gestão | 04/02/2011

O SUS deu certo aqui, por João Ghizzo Filho

O Sistema Único de Saúde (SUS) é eficiente em cidades onde a sua doutrina foi seguida com rigor. Em Florianópolis, já são 1,2 milhão de atendimento/ano na rede básica, além de 220 mil consultas especializadas nas policlínicas e 233 mil procedimentos nas Unidades de Pronto Atendimento. Isso foi possível porque a APS Atenção Primária em Saúde (APS) passou a contar com 100 equipes, cada uma composta por um médico da família, um enfermeiro, dois técnicos de enfermagem e seis agentes comunitários.

Para cada duas equipes há, ainda, um dentista e um técnico em higiene bucal. Quatro policlínicas municipais foram reformadas ou construídas, e passaram a oferecer consultas e procedimentos de média complexidade, regulados pela ferramenta eletrônica Sisreg III do Ministério da Saúde. As Unidades de Atendimento Pré-Hospitalar municipais, constituídas de duas UPAs (no Norte e Sul da ilha), também, de forma integrada, trabalham com a lógica de acolhimento por classificação de risco, devolvendo à APS os casos de baixa complexidade e os demais após estabilização do quadro agudo.

Hoje, a Capital é referência nacional em saúde e até dos Estados Unidos já vieram técnicos conhecer o modelo. O número de consultas básicas é de 1,4 por habitante e a mortalidade infantil caiu para um dígito: 9 por mil nascidos vivos. Há uma curva descendente na taxa de morbidade hospitalar em razão da eficiência na atenção primária. O índice de dentes cariados, obturados ou perdidos (CPO-D) reduziu-se em 67% e houve um incremento de 495% no número de alunos de graduação na área de saúde dentro das Unidades de APS. Por que não disseminar essa rica experiência no restante do Estado? É preciso que Estado e municípios entendam e pratiquem a doutrina do SUS.

(Publicado na edição de 02/02/2011 do DC)

* MÉDICO, DIRETOR DA FACULDADE DE MEDICINA DA UNISUL, EX-SECRETÁRIO DA SAÚDE DE SANTA CATARINA

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