Saiba mais sobre trabalhos selecionados no enfrentamento da Covid-19 - CONASEMS
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Mostra | 19/10/2020

Saiba mais sobre trabalhos selecionados no enfrentamento da Covid-19

Nesta terça-feira (20), às 14:30h, aconteceu a 5ª Roda de Conversa com apresentação de quatro projetos selecionados na 3ª etapa da I Mostra Virtual Brasil, aqui tem SUS. Os autores dos outros quatro trabalhos desta última etapa apresentarão em live no dia 27/10, durante a 6ª Roda de Conversa. As lives fazem parte da programação do I Congresso Virtual do Conasems.

A roda foi mediada pela presidente do COSEMS RJ, Conceição de Souza Rocha e o convidado comentarista desta live foi Ricardo Ceccim, professor Titular na área de Educação em Saúde/Saúde Coletiva e docente permanente do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

As inscrições foram encerradas no dia 27/09. Foram ao todo, nas três etapas de inscrição, 848 experiências inscritas e concluídas em nosso sistema, dessas, 625 foram avaliadas e pré-selecionadas pelos Cosems. Na etapa nacional, todas essas passaram então pela avaliação de três avaliadores externos, um grupo que já colabora há tempos com a realização da Mostra.

Conheça mais sobre as experiências apresentadas: 

O cuidado com o trabalhador da saúde continua em evidência entre as experiências selecionadas na I Mostra Virtual Brasil, aqui tem SUS. Das quatro iniciativas apresentadas na quinta roda de conversa, duas trouxeram como enfoque central a proteção dos profissionais contra o Corona vírus e a utilização de práticas integrativas e complementares na redução do estresse. Um dado inovador das outras duas experiências, que falam sobre a reorganização da gestão e as estratégias de comunicação direta com os cidadãos, foi a presença dos secretários municipais de saúde na condição de apresentadores dos trabalhos. O evento foi realizado dia 19 de outubro, no canal do Conasems no youtube.

O debate foi mediado pela presidente do Cosems do Rio de Janeiro, Conceição de Souza Rocha, que abriu a roda de conversa afirmando: “Há 17 anos o Conasems passou a revelar ao Brasil as experiências exitosas nos municípios, criando um espaço de valorização dos trabalhadores da saúde. A entidade foi muito feliz por aprimorar cada vez mais a Mostra, que dá visibilidade ao cotidiano e às tecnologias criadas pelos profissionais de saúde. Essa pandemia nos mostrou outras formas de viver e trabalhar”. A cada apresentação, o professor titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ricardo Ceccim, destacou os pontos relevantes dos trabalhos.

Marilândia

A primeira experiência apresentada foi do pequeno município de Marilândia, de 13 mil habitantes,  situado no Espírito Santo. Todos os dias, incluindo finais de semana, o secretário municipal de saúde, Roberto Carlos Partteli, entrava ao vivo nas redes sociais e no rádio, acompanhado da equipe de saúde, para conversar com a população sobre a pandemia. “Realizávamos um boletim ao vivo para mostrar o número de contaminados, as ações de controle e dar uma segurança à população de que a secretaria estava trabalhando. A comunicação é fundamental no combate ao Corona vírus”, afirmou. Os boletins se mantiveram no ar por cinco meses, mas atualmente estão suspensos por conta da legislação eleitoral.

“O campo da comunicação em saúde nem sempre é muito claro. Essa experiência demonstrou por um lado a importância da comunicação diária com a população e, de ouro lado, evidenciou que o gestor reconhece o seu papel e traz o compromisso de conversar diretamente com a população. O contato direto é também uma forma de produzir segurança, ouvir críticas, e mostra a responsabilidade da gestão”, observou o professor Ricardo Ceccim.

São José de Ribamar

A reorganização do sistema de saúde do município de São José de Ribamar (MA), relatada pelo secretário municipal de saúde, Willian Vieira Ferreira, foi o foco da segunda experiência apresentada na roda de conversa do Conasems. A terceira cidade mais populosa do Maranhão acumulava o segundo lugar em número de casos. A criação de quatro unidades da Rede Acolhe e todo o reordenamento do trabalho com o objetivo de humanizar o cuidado levaram o município ao trigésimo primeiro lugar em contaminação pela Covid-19. “O fluxo da rede acolhe é voltado à humanização, com equipe qualificada para acolher o paciente, formada por enfermeiro, fisioterapeuta, médico e psicólogo. O monitoramento é realizado pelo psicólogo a cada 48 horas por telefone e caso haja complicação, o paciente é referenciado para a UBS”, descreve o gestor.

“Ter uma equipe multiprofissional com a presença do psicólogo já demonstra a importância dada ao acolhimento. O trabalho fala da relevância de escutar primeiro, trazer o usuário para dentro do serviço e depois fazer a gestão do caso. Essa experiência tem acolhimento, escuta, equipe que inclui o trabalhador dos serviços de apoio, como limpeza, fortalecimento da AB, e formação de rede com abertura de leitos. Vemos isso de maneira integrada”, elogia Ricardo Ceccim.

Porto Velho

A terceira experiência traz o relato de um grupo de enfermeiras do primeiro ano de residência no Curso Multiprofissional de Urgência e Emergência do hospital João Paulo II, em Porto Velho. Makilane Nascimento, uma das residentes, conta que, diante de um cenário de medo, o grupo pesquisou e criou um protocolo de biossegurança para ensinar aos profissionais de saúde a realizar a paramentação e desparamentação dos Equipamentos de Proteção Individual.  O trabalho foi iniciado com os profissionais do SAMU e se estendeu, englobando inclusive servidores da área de segurança pública. “Ficamos felizes quando começaram a surgir multiplicadores do nosso trabalho e recebemos convites para capacitar outros profissionais”, comemora a autora.

“Essa experiência é relevante porque se refere à maneira como a residência vai ter efeitos sobre a saúde coletiva. É fundamental mostrar o papel social da residência porque traz um impacto muito grande para o sistema de saúde. A iniciativa também é interessante porque amplia a atuação para hospitais, SAMU, secretarias, segurança pública. A paramentação e desparamentação envolvem a proteção individual e coletiva. Ao se proteger, você protege o outro”, relata Ceccim.

Icapuí

A última experiência apresentada na quinta live da Mostra Brasil aqui tem SUS expõe o trabalho de outras profissionais da residência, dessa vez de Saúde da Família e Comunidade no município de Icapuí (CE), que uniram suas habilidades para desenvolver Práticas Integrativas e Complementares (PICS) voltadas aos profissionais da linha de frente contra a Covid-19. “O objetivo do trabalho foi cuidar de quem cuida, aliviando tensões físicas e emocionais. As residentes contribuíram a partir das suas respectivas áreas de domínio, que envolve auriculoterapia, massoterapia e aplicação de ventosas”, explica a autora e integrante da equipe, Sarah Anne Silveira. “Cuidar do trabalhador da saúde também era uma forma de desmistificar essa visão do profissional de saúde como herói”, acrescenta.

“A saúde dos trabalhadores, que estão em serviços essenciais e não puderam interromper seus trabalhos, a exemplo dos profissionais de saúde, dos caixas de supermercados, dos frentistas dos postos de gasolina, entraram em cena de forma mais forte com a pandemia. Quem é o iniciador desse discurso sobre o herói? Nós ou o gestor interessado que a gente se mantenha trabalhando a qualquer custo, mesmo sem proteção adequada?”, indaga o professor. E conclui: “O SUS é o que pode dar certo no cuidado integral da população. Essas quatro experiências demonstram o que é a integralidade do nosso sistema de saúde”.

A sexta live da I Mostra Virtual Brasil, aqui tem SUS acontece na próxima terça-feira, dia 27 de outubro, no canal do Conasems no youtube. 

A 5ª Roda foi transmitida pelo Canal Conasems no Youtube. Confira na íntegra:

Confira aqui a lista com os oito municípios, projetos e autores dos trabalhos selecionados

Acompanhe aqui a programação de lives da I Mostra Virtual Brasil, aqui tem SUS

 

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