Confira como foi a aula interativa “História da vacinação e de doenças erradicadas” - CONASEMS
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ImunizaSUS | 25/05/2021

Confira como foi a aula interativa “História da vacinação e de doenças erradicadas”

O Projeto ImunizaSUS está ofertou nas últimas semanas aulas interativas com apresentações de professores doutores no YouTube com objetivo de transmitir o conteúdo da capacitação com especialistas convidados, interação entre os alunos e chat aberto para perguntas. 

História da vacinação e de doenças erradicadas 

Na última sexta-feira (28/05), a convidada especial foi a médica Regina Succi, Prof. Dra. da Universidade Federal de São Paulo e da Faculdade São Leopoldo Mandic. Em uma aula interativa e aberta para perguntas, a professora abordou a história das doenças erradicadas e/ou controladas por meio da imunização. 

Dando início à aula, o médico infectologista André Ribas agradeceu a presença da professora, a quem chamou de uma das pioneiras da infectologia pediátrica no Brasil. “Gosto muito de falar porque a maioria dos médicos mais jovens não tiveram a oportunidade de conviver com essa realidade que eu convivi. Vou completar 50 anos de exercício profissional e eu tive a oportunidade de ver uma série de doenças que foram encaradas durante séculos como pragas e controladas aos poucos mediante o esforço de muita gente e a morte de milhares”, respondeu Regina Succi.

Com uma breve aula de história da evolução das doenças infecciosas no Brasil, a professora explicou que a partir do século XVII existia um enfoque dos tratamentos no país para difteria, varíola, sarampo e febre amarela. “Em 1880, em São Paulo foi criado um serviço se chamava Lazareto dos Variolosos ou Desinfetório geral, um lugar para tratar a varíola e outras doenças infecciosas onde essas pessoas eram colocadas somente para seus cuidados pessoais, já que os conceitos de isolamento e de cuidados de transmissão eram completamente desconhecidos”, contou.

Em seguida, Regina Succi trouxe um pouco de suas vivências pessoais para quase 5 mil espectadores da live. “No início da década de 70 eram hospitalizados dezenas de casos de difteria, sarampo e poliomielite. Nesta ocasião a preocupação com isolamento era muito pouca, ainda como estudantes de medicina adentrávamos nas enfermarias de varíola sem nenhuma preocupação de uso de máscara e examinando os doentes sem luvas porque era este o conceito na ocasião”, relembrou.

A infectologista relembrou também a importância da organização da vacinação em território nacional. “Em 1977 o PNI criou o primeiro calendário vacinal com organização de doses e sequências, entretanto nós tínhamos um número muito pequeno de vacinas e a gente não conseguia vacinar todo mundo. Em 1980 foram lançadas as campanhas nacionais e vacinação de pólio aconteceu no Brasil inteiro ao mesmo tempo, algo extraordinário”, disse.

Regina também aproveitou a ocasião para alertar aos profissionais de saúde que se deparam com novas doenças como coronavírus e falou sobre a importância de cursos como o ImunizaSUS. “Só posso agradecer pela experiência intensa e rica que eu tive a oportunidade de vivenciar até hoje com as doenças infecciosas, assim como os profissionais de hoje não aprenderam nada sobre coronavírus na escola de medicina, também não aprendi sobre a AIDS nos anos 80. É importante que os profissionais de saúde estejam preparados para conviver com esse novo vírus, conhecer mais sobre a doença e sobre as vacinas que temos contra ela”, explicou.


Confira na íntegra:

 

 

Atualizações e perspectivas da vacinação contra Covid-19

A aula “Atualizações e perspectivas da vacinação contra Covid-19” com o médico Marco Aurélio Sáfadi, Prof. Dr. da Escola de Ciências Médicas da Santa Casa (SP) e presidente do Departamento de Infectologia e de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, aconteceu no dia 21 de maio.

No início da apresentação, Sáfadi trouxe informações sobre a introdução das vacinas no mundo real e dados sobre segurança, efetividade e impacto das vacinas no mundo todo. ”Como será a performance de uma vacina no mundo real nem sempre é aquilo que foi observado em condições controladas de um estudo clínico. No mundo real, uma série de variáveis acabam exercendo um papel importante e determinando um conhecimento mais aprofundado sobre as vacinas, o que permite otimizar o uso dessas”, explicou. 

Em seguida, o médico apresentou aos espectadores um panorama das variantes do vírus SARS-CoV-2. De acordo com ele, atualmente a Organização Mundial da Saúde reconhece quatro variantes de preocupação que de fato são mais transmissíveis ou que tenham algum tipo de  escape à proteção vacinal. “Ainda existe uma carência em relação à variante da Índia no que diz respeito a como vão se comportar as vacinas frente a ela. No momento, sabemos que a que oferece maior preocupação no que diz respeito ao escape da proteção das vacinas é a variante sul-africana, a intermediária seria a nossa de Manaus e a que menos apresenta prejuízos nesse sentido é a variante britanica”, explicou. 

O professor também fez uma explicação técnica sobre a as vacinas aprovadas pela Anvisa e as diferenças entre elas, estudos de eficácia desses imunobiológicos, reações adversas, além de um panorama das variantes do vírus. Sáfadi também fez um comparativo da efetividade da vacina no Chile e no Brasil. “Até fevereiro, Brasil e Chile tinham taxas semelhantes de novos casos e óbitos. No entanto, quando o Chile aumentou as taxas de cobertura vacinal entre idosos, observou-se tendência de declínio na mortalidade, embora as novas taxas de caso continuassem a subir. As vacinas podem reduzir a carga viral nos casos de infecção em vacinados, suprimindo ainda mais a transmissão do vírus”, mostrou. 

Logo depois, o especialista fez uma apresentação com dados relevantes sobre reduções no risco de internação relacionada à Covid-19 e diminuição da transmissão depois da primeira dose das vacinas em vários países do mundo. Também trouxe um resumo das evidências de efetividade da vacina contra diferentes desfechos clínicos, como disseminação, hospitalização, mortalidade, infecção e transmissão.  Para finalizar a aula, o professor fez um levantamento sobre os desafios da vacinação, como o tempo de proteção induzido após a vacinação, dados de segurança e imunogenicidade em crianças e adolescentes, co-administração com outras vacinas, segurança em gestantes, proteção frente às novas variantes, eventos adversos inesperados, entre outros. 

Confira na íntegra: 

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