De cada cinco pessoas que morreram por dengue no Brasil em 2010, uma era mineira - CONASEMS
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Gestão | 12/01/2011

De cada cinco pessoas que morreram por dengue no Brasil em 2010, uma era mineira

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00757058931Um milhão de pessoas contaminadas no Brasil, 550 mortos e uma preocupante estatística para Minas Gerais: de cada grupo de quatro vítimas da dengue no país em 2010, uma foi de Minas. Para cada grupo de cinco pessoas que morreram vítimas da doença, uma era mineira. O quadro lamentável do ano passado corre o risco de se repetir este ano no território nacional, caso não haja ações consistente para barrar o avanço do mosquito. Por isso, autoridades federais se reuniram ontem com a presidente Dilma Rousseff (PT) para traçar estratégias de controle do inseto, que ganha força nesta época do ano. O Ministério da Saúde traçou um novo mapa da enfermidade e constatou indícios ameaçadores: 16 estados estão com risco muito alto para uma epidemia de dengue. Nove, incluindo Minas Gerais, estão com risco alto para a doença. Na lista do Aedes aegypti, 70 municípios correm perigosa ameaça, entre eles 12 mineiros.

A situação levou o novo secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, a comparar a dengue à temida Aids. “São males que mais desafiam a mudança de comportamento. Se antes a luta era para evitar os casos, agora é para não haver mortes e notificações graves”, declarou. O novo plano pretende atacar o Aedes aegypti em duas frentes: é criar estratégias intersetoriais dentro dos órgãos públicos, com a união de esforços na luta contra o mosquito; integrar a atenção à saúde e vigilância em saúde. “Queremos estimular estados e municípios a ampliar parcerias no combate à dengue”, disse o ministro Alexandre Padilha, que convidou 12 pastas para integrar a estratégia. Caberá ao Ministério das Cidades, por exemplo, usar recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinados ao trabalho técnico social nas ações educativas de combate à dengue em mais de 11 mil obras de saneamento.

Na próxima semana, será criado um pacto entre os secretários dos 16 estados com risco muito alto para epidemia de dengue. “Vamos analisar as ações e planos de contingência e fazer um checklist do que tem sido feito. A intenção é constatar se há profissionais preparados, estimular os governadores a chamar os prefeitos e reforçar nos estados a rede de atenção à saúde”, defendeu o ministro Padilha. Mas não vai ser nada fácil. Com a aplicação do critério de densidade populacional aos 178 municípios com alto índice de infestação pelo mosquito, o ministério identificou nada menos do que 70 cidades – 12 delas mineiras – prioritárias para o combate ao inseto.

A estratégia nesses municípios será de monitoramento diário do número de óbitos e, semanalmente, da quantidades de casos, num sistema implantado em parceria do governo federal com as secretarias estaduais e municipais de saúde. Ou seja, Belo Horizonte, que mantinha um acompanhamento do número de casos de mortes por semana, terá que fazê-lo diariamente. Assim, será nos outros 11 municípios mineiros. De acordo com Padilha, o investimento inicial será de R$ 1,8 bilhão.

O recorde de casos da doença no ano passado foi justificado por Jarbas Barbosa pela circulação da dengue tipo 1, principalmente em Minas e São Paulo. Do 1 milhão de casos notificados no país, mais de um quarto deles foram no território mineiro. Foram 259.024 notificações, com 103 óbitos. Ocorreram 184 casos de febre hemorrágica e 1.136 de dengue com complicações.

Segundo informou a Secretaria de Estado de Saúde (SES), desde que o governo de Minas declarou guerra ao mosquito, em 17 de novembro, 200 agentes de campo, militares do Exército e da Aeronáutica percorreram 14 municípios mineiros com histórico de transmissão da doença. O Dengue Móvel, veículo que oferece material escolar por pneus, garrafas PET e outros materiais que sirvam de depósito de larvas para o Aedes aegypti, fez 309.076 trocas. Serão investidos, neste semestre, cerca de R$ 60 milhões e o próximo passo é continuar com a força-tarefa em outros municípios que apresentem situação crítica e, também, mobilizar as demais cidades na prevenção e combate à dengue.

Mesmo com todo esse barulho, o vice-presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Antônio Carlos Toledo, ressalta: “Enquanto não houver uma vacina para a doença, vamos estar longe de resolver o problema definitivamente”. No meio de todo esse alerta, Minas está, por enquanto, livre de pelo menos uma ameaça: o vírus tipo 4 já entrou no país, mas ainda não chegou ao estado. “Historicamente, os vírus vêm para cá depois de passar pelo litoral. Se for pelo Rio, pode demorar uns dois anos”, aposta.

Rota do mosquito

Municípios mineiros na lista de prioridade no combate à dengue do Ministério da Saúde

Belo Horizonte
Betim – região metropolitana
Contagem – região metropolitana
Ribeirão das Neves – região metropolitana
Santa Luzia – região metropolitana
Juiz de Fora – Zona da Mata
Uberaba – triângulo mineiro
Uberlândia – Triângulo
Governador Valadares – Vale do Rio Doce
Timóteo – Vale do Aço
Coronel Fabriciano – Vale do Aço
Ipatinga – Vale do Aço


Assessoria de Comunicação da Secretaria de Saúde de Minas Gerais  

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