CFF: Profissionais falam sobre gestão municipal da assistência farmacêutica - CONASEMS
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Congresso Virtual | 17/09/2020

CFF: Profissionais falam sobre gestão municipal da assistência farmacêutica

A gestão da assistência farmacêutica em tempos tem sido um constante desafio para os profissionais da área. Felipe Tadeu Carvalho Santos, responsável por esta tarefa na Secretaria Municipal de Saúde do município de São Paulo, e Rodrigo Faria da Silva, que desempenha a mesma função na cidade de Carmo de Minas, em Minas Gerais, expuseram suas experiências em um bate-papo virtual promovido pelo Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), na última sexta-feira (11).

Foto: Felipe Santos e sua equipe em São Paulo

De um lado, uma cidade com cerca de 12 milhões de habitantes, uma das maiores metrópoles do mundo, que conta com uma estrutura de 629 farmácias públicas vinculadas aos serviços de saúde, onde atuam 621 farmacêuticos e 1890 auxiliares e técnicos de farmácia. De outro, um município conhecido pela produção de café, no sul de Minas Gerais, que abriga pouco mais de 15 mil pessoas e conta com dois profissionais e dois auxiliares atuando na assistência farmacêutica. Os gestores do SUS falaram sobre as iniciativas desenvolvidas, em cidades de dimensões completamente opostas, para garantir o atendimento das demandas.


Foto: Rodrigo e sua equipe da cidade de Carmo de Minas-MG

O orçamento da assistência farmacêutica de São Paulo está em torno de 320 milhões por ano, uma grande parte do orçamento da Secretaria Municipal de Saúde. Já em Carmo de Minas, a assistência farmacêutica está em processo de construção. “A gente sabe que os recursos são escassos e estruturar uma assistência farmacêutica em um município de pequeno porte não é muito fácil”, pontua Rodrigo da Silva. Apesar disso, Rodrigo diz que o município de Carmo de Minas é composto por cinco equipes de saúde da família, com 100% de cobertura de atenção básica à população. A farmácia promove a dispensação de todos os componentes da assistência farmacêutica, além de trabalhar de forma integrada com a atenção básica, no acompanhamento dos pacientes.

Felipe Tadeu diz que a assistência farmacêutica de São Paulo busca ofertar serviços clínicos desenvolvidos pelos farmacêuticos nos territórios do município. “Quase 90% de todas as unidades de saúde oferece algum tipo de serviço clínico relacionado à assistência farmacêutica, associado, principalmente, à promoção do uso racional e prudente de medicamentos e à prevenção, identificação e de resolução de problemas relacionados à farmacoterapia diretamente vinculados à equipe de saúde”. Desde 2016, após uma portaria municipal que institui o cuidado farmacêutico no município, a assistência farmacêutica de São Paulo tem tentado atuar de forma mais efetiva, envolvendo uma co-responsabilização nos processos de cuidado à saúde das pessoas.

Desafios

Além de garantir o acesso seguro e adequado, medicamentos de qualidade e de acordo com as necessidades de saúde da população, Felipe Tadeu aponta como um dos principais desafios da estruturação da assistência farmacêutica nos municípios a integração do serviço na rede. “O entendimento do papel da assistência farmacêutica vai muito além de somente suprir a rede com insumos. Ela também precisa estar diretamente relacionada e integrada com as diversas áreas de assistência à saúde”.

O mesmo dilema é compartilhado por Rodrigo da Silva. “Para nós, municípios de pequeno porte, existe uma dificuldade imensa de integração entre a assistência farmacêutica e a gestão. É muito difícil para o gestor entender a assistência farmacêutica. Na cabeça de muitos deles, a assistência farmacêutica serve apenas para garantir medicamentos na prateleira. Mas essa é só uma parte da assistência. Ela engloba todo um caminho, desde quando aquela caixinha sai da prateleira até ela alcançar o resultado no final, no tratamento do usuário”, pontua Rodrigo.

No município de pequeno porte, Rodrigo relata que um dos problemas é em relação às equipes reduzidas. “Eu tenho vários amigos que precisam fazer tudo sozinhos. Então, é um desafio para esse profissional conseguir demonstrar para sua gestão que ele pode mais, que ele sozinho ali está amarrado e pouco produtivo. De repente, é o que falta ao farmacêutico hoje: uma capacitação para estar inserido na gestão”.

Ele acredita que o farmacêutico da assistência farmacêutica deva trabalhar de forma mais planejada e organizada. “O farmacêutico não apenas executa sua tarefa. Ele precisa participar da gestão, estar presente com o secretário de saúde no momento em que ele está montando o seu plano municipal de saúde”. Rodrigo defende que a realização de cursos específicos é uma oportunidade para que os farmacêuticos consigam romper barreiras. “Hoje, o Conasems tem oferecido essa oportunidade aos farmacêuticos, coisa que a gente não teve por muito tempo, para ter conhecimento, saber onde buscar e conseguir os recursos, para que a gente possa se valorizar e construir realmente a assistência farmacêutica no município de pequeno porte”.

Já o gestor de São Paulo ressalta, ainda, a importância da atuação do farmacêutico na promoção do uso racional e seguro de medicamentos. “Nós temos hoje uma situação muito preocupante relacionada aos índices alarmantes associados à morbimortalidade relacionada aos medicamentos. E a gente tem um papel fundamental que é de trabalhar junto as equipes de saúde, junto aos territórios, promovendo o uso seguro e racional de medicamentos, por meio de práticas educativas, assistenciais, e por meio, principalmente, da incorporação de práticas clínicas nos serviços de saúde”.

Os gestores concordam que, além do trabalho de rotina, a assistência farmacêutica, precisa estar diretamente relacionada e integrada com as diversas áreas de assistência à saúde. “O serviço envolve a elaboração de protocolos, discussões com os diversos territórios, uma vez que é uma área transversal, perpendicular, que intermedia, vamos dizer assim, a rede como um todo, em vários aspectos”, finaliza Felipe Tadeu.

Via Comunicação do CFF

 

 

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