Especial Brasil, aqui tem SUS: tecnologia à favor da saúde no enfrentamento à Covid-19 em Anápolis-GO - CONASEMS

Especial Brasil, aqui tem SUS: tecnologia à favor da saúde no enfrentamento à Covid-19 em Anápolis-GO

Anápolis (GO), uma cidade de médio porte com aproximadamente 400 mil habitantes, desenvolveu duas estratégias prioritárias de enfrentamento à Covid-19 baseadas no uso da tecnologia da informação e na criação de Unidades de Referência Coronavírus. Nesses espaços foram montadas equipes responsáveis pela realização de visitas domiciliares de moradores com suspeita da doença, o que gerou a necessidade de criação de um protocolo de biossegurança para proteger os profissionais que estão na linha de frente contra a pandemia.

A implantação de um serviço de Whatsapp permitiu a investigação e o acompanhamento de casos suspeitos, sem que fosse estabelecida uma relação presencial entre profissionais e usuários. A população que entra em contato com o serviço via aplicativo, recebe orientações e responde a uma sequência de perguntas para a identificação de sintomas da doença. Dependendo das condições de saúde, a conduta prevê o acompanhamento remoto, com orientações sobre medidas de isolamento, o encaminhamento para a unidade de referência ou a visita domiciliar.

Os critérios para a adequação de cinco Unidades Básicas de Saúde (UBS) para tornarem-se espaços de referência contra a doença basearam-se na localização geográfica, realização de atendimento em horário estendido na rotina de trabalho, capacidade de resposta, como também a presença de residentes em medicina de família e comunidade. Dependendo do quadro clínico identificado no processo de triagem via Whatsapp, como o agravamento dos sintomas ou a presença de grupos de risco, os profissionais das unidades de referência são solicitados a realizar as visitas domiciliares. Aqui a necessidade de proteção se amplia.

Protocolo de biossegurança

Júlia Maria Oliveira é fonoaudióloga e divide o tempo como professora universitária e funcionária da Vigilância Epidemiológica do município. Ao observar as fotos dos profissionais da Atenção Básica em campo sem condições adequadas de proteção, percebeu a necessidade de criar protocolos de biossegurança. “Quando vi que os colegas estavam indo fazer as visitas sem paramentação, fiz uma exposição dentro da universidade que resultou na criação dessa linha de abordagem”, conta. O Centro Universitário de Anápolis UniEVANGÉLICA, instituição ao qual Júlia trabalha, já desenvolvia um processo educacional semelhante, mas totalmente voltado para a atenção hospitalar.

Foi então iniciado um projeto de educação permanente, envolvendo profissionais da Vigilância Epidemiológica, Atenção Básica e universidade, onde foram estabelecidos os papeis de cada uma das instituições. A Secretaria de Saúde disponibilizou os Equipamentos do Proteção Individual (EPIs) para o treinamento. A Atenção Básica forneceu os contatos dos profissionais e organizou as escalas de plantão para que os mesmos fossem treinados dentro do turno de trabalho. A universidade ofereceu a estrutura para a montagem de um cenário que permitiu a realização do treinamento através de uma metodologia ativa.

O protocolo estabeleceu um passo a passo sobre os cuidados que deveriam ser adotados nos diferentes ambientes, que seguia uma sequência sobre paramentação e disparamentação e visita domiciliar. As visitas foram divididas em cinco momentos: saída da UBS, cuidados no carro, chegada no domicílio, saída do domicílio e retorno para a UBS.  Os profissionais também foram preparados para realizar o Swab, um dos exames indicados para detectar o corona vírus. “Em cada um dos momentos de trabalho pensamos em micro barreiras sanitárias, considerando a estrutura e os materiais disponíveis e a forma de realizar o atendimento. Nos organizamos para que todos os profissionais fossem preparados dentro de um protocolo único”, detalha Júlia.

Integração ensino-serviço

A presença dos estudantes de medicina foi fundamental. Coordenados pela fisioterapeuta, eles contribuíram com a elaboração dos protocolos e materiais de divulgação. Vídeos com orientações de segurança foram produzidos e divulgados no instagram do projeto, antecipando as orientações do treinamento. No total, 110 profissionais de saúde, entre enfermeiros e médicos que realizam as visitas domiciliares, foram treinados através de uma simulação realística com pacientes atores. Os cursos duravam quatro horas e envolviam a participação de no máximo dez profissionais.

Para Júlia, o encontro entre ensino, serviço e comunidade foi muito rico. Ela destaca a interação com os estudantes de medicina como algo gratificante. “Todos queríamos salvar o mundo, mas estávamos sem armas. Muitos estudantes entenderam que medicina é justamente isso, ajudar de alguma maneira”. A experiência virou um trabalho científico na universidade e está sendo multiplicada em outros municípios.

Jéssica Maboni, residente do primeiro ano do curso de Medicina de Família e Comunidade e profissional da AB, expressou sua gratidão pelo cuidado recebido dos colegas de profissão. “Eu gostaria de agradecer pelo trabalho de sistematização e padronização do protocolo de proteção. Nós, profissionais que estamos na linha de frente, sendo expostos, nos sentimos muito cuidados”, afirmou. Ela conta que a intensão é reproduzir o treinamento, repassando as informações para os demais servidores da UBS.

Anápolis é o município polo da Regional de Saúde Pirineus. Possui 32 unidades com mais de 68 equipes e cobertura da Estratégia Saúde da Família de 71% da população. No total, foram confirmados até o dia 9 de outubro 13.372 casos de Covid-19, sendo 11.561 curados e 332 óbitos. A experiência representou o Estado de Goiás na quarta roda de conversa da I Mostra Virtual Brasil, aqui tem SUS. Confira abaixo a transmissão ao vivo da apresentação do projeto de Anápolis – GO:

 

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