Especial Brasil, aqui tem SUS: Reorganização da Atenção à Saúde ajudou no controle da pandemia em Primavera do Leste-MT - CONASEMS

Especial Brasil, aqui tem SUS: Reorganização da Atenção à Saúde ajudou no controle da pandemia em Primavera do Leste-MT

Primavera do Leste é uma cidade de 63 mil habitantes, localizada no Estado do Mato Grosso, cuja base da economia é o agronegócio, com a plantação de soja, milho e algodão. O município é muito jovem, tem apenas 34 anos de existência, mas um Produto Interno Bruto (PIB) elevado, fator que atrai muitas pessoas de outras localidades. E por isso se tornou uma espécie de polo de saúde da sua microrregião, uma referência não oficializada que desafia o desenho da política de saúde municipal. A microrregião ao qual pertence é constituída por 19 municípios e depois de Rondonópolis, cidade polo, é Primavera do Leste que oferece maior variedade de serviços.

A enfermeira e coordenadora da Vigilância em Saúde, Mônia Maia de Lima, conta que o município entrou em alerta em relação à epidemia após uma reunião de rotina sobre vacinação em Rondonópolis, em que o tema da Covid-19 entrou na pauta de debate. Imediatamente ela alertou o prefeito e a secretária de saúde sobre a necessidade urgente de organizar a rede de atendimento para dar conta do que estava por vir. A prioridade no início foi criar uma Central telefônica para transmitir informações aos usuários, evitando deslocamentos desnecessários às unidades de saúde. Foi então aproveitado o número 0800 da Ouvidoria Municipal e mais dois números de celular para atender via whatsapp.

A equipe responsável por prestar esclarecimentos à população veio a partir do remanejamento de servidores da saúde, que não poderiam estar na linha de frente dos atendimentos por serem portadores de doenças crônicas, gestantes ou idosos. Também foram realocados servidores das unidades de saúde cujas atividades estavam reduzidas em função da pandemia.  Compuseram a equipe de teleatendimento servidores do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), do Centro de Testagem e Acolhimento (CTA) e profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), formada por dois enfermeiros, uma fisioterapeuta e um médico.

O papel da Central era orientar, monitorar e investigar os casos suspeitos de Covid-19, como também encaminhar os usuários aos serviços em funcionamento. No começo da pandemia nenhuma Unidade Básica de Saúde (UBS) fazia atendimento, pois não havia disponibilidade de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), o que acabou centralizando o cuidado em uma unidade sentinela e em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A Central era então responsável por agendar os atendimentos, os testes e orientar para onde a população com síndrome respiratória deveria ir.

Descentralização

Na medida que o cenário epidemiológico mudava o trabalho da central foi sendo remodelado. O município chegou a ter 80 casos confirmados por dia e mais de cinco mil pessoas contaminadas até novembro. “Como a gente queria manter o monitoramento, apesar do crescimento dos casos, ampliamos as equipes e disponibilizamos mais três telefones para investigação”, conta Mônia Maia. A expansão da demanda levou também à descentralização da atenção, momento em que as UBS começaram a fazer atendimento para os sintomáticos respiratórios. As equipes de odontologia das 16 unidades de saúde assumiram o atendimento remoto em suas respectivas áreas.

Hanna, usuária do Sistema Único de Saúde, passou a ter acompanhamento por telefone após ser diagnosticada com a doença. Ela relata que somente em um dia recebeu três ligações de profissionais de saúde. “Tenho somente que agradecer o carinho e a dedicação. Esse trabalho humanizado faz toda diferença. Não é fácil, mas juntos iremos passar por isso tudo com muita fé em Deus”.

As equipes de saúde bucal monitoram, investigam, oferecem orientação sobre medidas de isolamento e dão um retorno para a Central sobre os pacientes. Caso tenha agravamento, o próprio médico da UBS faz o atendimento. “A gente teve que entender como cada pedaço da rede estava funcionando para orientar o usuário. Compartilhar saberes entre a equipe multiprofissional foi muito importante, inclusive emocionalmente. A gente se fortaleceu e conseguiu difundir o trabalho da Vigilância em Saúde, porque muitos voltaram para os seus postos com uma visão ampliada sobre o papel da Vigilância”, relata Mônia.

Os pacientes moderados e com agravo, que tiveram que ser hospitalizados, continuam a ser monitorados pela Central. Diariamente, um profissional é responsável por ligar para os hospitais, seja do município ou de outras regiões, para acompanhar a evolução dos casos. Em Primavera do Leste existem três hospitais de pequeno porte da rede privada, cuja Secretaria Municipal de Saúde contratualiza os serviços. A Secretaria já tinha uma UTI conveniada, mas com um único leito para Covid-19. Foi então montada uma UTI exclusiva para Covid-19 em um dos hospitais, que tinha estrutura física mas não tinha equipamentos, e alguns pacientes foram referenciados para Rondonópolis e Cuiabá.

Atualmente, verifica-se uma queda importante dos casos de Covid-19 em Primavera do Leste e os serviços estão sendo aos poucos restabelecidos, embora em menor escala. “É difícil dizer se a gente teria mais ou menos casos graves ou óbitos, mas o papel do SUS foi fundamental. Foi essencial na organização de toda rede no município, ofertando o serviço de assistência que era necessário, inclusive para os usuários da rede privada e para quem estava na zona rural, bem distante de nós. Não consigo imaginar o que seria o enfrentamento da pandemia se não fosse o SUS”, reconhece a coordenadora da Vigilância.

A experiência representou o Estado do Mato Grosso na sexta live da I Mostra Virtual Brasil, aqui tem SUS:

 

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