Especial Brasil, aqui tem SUS: O uso da tecnologia da informação auxilia população no controle da Covid-19 - CONASEMS

Especial Brasil, aqui tem SUS: O uso da tecnologia da informação auxilia população no controle da Covid-19

A desinformação pode ser tão letal quanto a ausência de cuidado em período de pandemia. Pensando nisso, o município de Goianésia – GO, de 75 mil habitantes, lançou mão do uso da tecnologia para aproximar profissionais de saúde e população. Um mês após os primeiros casos de Covid-19 chegarem ao Brasil, a gestão municipal criou um chatbot, espaço virtual mediado por robôs cujo objetivo é prestar esclarecimentos, minimizando dúvidas diante do desconhecimento em torno da doença. O usuário que quiser informações ou orientações deve enviar uma mensagem para o número do CoronaWhats, e o chatbot responderá automaticamente.

 

Boa parte da população de Goianésia, localizada no estado de Goiás, vive da agropecuária e da plantação de cana de açúcar, através das usinas instaladas na região. O município tem 22 unidades básicas de saúde, cerca de cinco hospitais privados, um hospital municipal e uma Unidade de Pronto Atendimento, que virou centro de referência para o tratamento da Covid-19.

“O chatbot surgiu em abril, quando observamos que a população precisava de mais informação. Como tudo era muito recente, tínhamos que difundir orientações. No início a principal dica era para permanecer em casa, evitando se dirigir à unidade de saúde sem necessidade. Além de orientar a população, precisávamos triar”, diz a autora da experiência, Ana Raquel Pereira Severino. A ferramenta digital foi um reforço para evitar o deslocamento desnecessário das pessoas aos serviços de saúde por desinformação.

Idealizado por uma empresa de telecomunicações que presta serviço ao município, o chatbot tem funções pré-programadas, dentre elas a realização de um cadastro inicial com nome, CPF (para evitar trote ou perfil falso) e endereço. Através de perguntas objetivas sobre sinais e sintomas característicos da doença, o sistema elabora um perfil do usuário, estabelecendo uma espécie de classificação de risco: leve, moderado ou alto. Nos dois primeiros casos, o paciente recebe informações, é orientado a conversar com o profissional de saúde caso sinta necessidade ou a procurar a unidade de saúde diante do agravamento de sintomas.

Os usuários classificados como de alto risco são imediatamente contactados pelo profissional de saúde. Alguns dos sintomas considerados importantes para definir o estado de saúde são febre, dor de garganta, falta de ar e comorbidade. Um dos pontos altos da ferramenta é a facilidade de acesso, via Whatsapp. Basta salvar o número e iniciar a conversa. Diante das incertezas sobre o que estava por vir, a demanda pelo serviço era bem alta.

Além do papel fundamental no controle da pandemia, contribuindo para evitar um colapso no sistema de saúde, o CoronaWhats ultrapassou as expectativas, possibilitando diagnósticos mais abrangentes. Ao investigarem possíveis sintomas da doença, profissionais de saúde muitas vezes identificaram outras doenças, como quadros avançados de ansiedade ou dengue. O efeito multiplicador do trabalho também pôde ser sentido nas redes sociais. Valorizando a promoção da saúde, os profissionais reuniram as principais dúvidas e perguntas frequentes e difundiram como informações nos espaços de comunicação da Secretaria de Saúde.

O projeto sempre esteve integrado ao trabalho na Central Covid, cuja equipe, composta por cerca de 20 profissionais, tem acesso às informações geradas no CoronaWhats no próprio celular, através de um aplicativo denominado Boat maker. O trabalho é realizado por enfermeiros e odontólogos das UBS, que passaram por um processo de capacitação.

Engajamento

Ana Raquel Pereira Severino se formou em enfermagem em dezembro de 2019 e logo depois foi trabalhar como voluntária no setor administrativo do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Quando a pandemia chegou ao município, ela foi remanejada para a Central Covid, onde ficou mais cinco meses como voluntária, trabalhando madrugada à dentro com uma equipe formada por seis profissionais. “Foi algo grandioso, uma experiência incrível. Nos mantivemos firmes e não faltou aparelhos, medicamentos. Foi muito bom mesmo”, comemora.

Atualmente contratada pelo município, além de trabalhar na Central, ela dá plantões à noite e nos finais de semana na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ana Raquel, o filho e os pais foram contaminados por Covid-19 e ela foi a única da família que não adquiriu imunidade da doença. “Não me arrependo hora nenhuma, faria tudo dez vezes mais. Uma coisa que aprendi muito foi valorizar e defender o SUS (Sistema Único de Saúde). Pude ver o quanto ele é importante e o quanto as suas diretrizes são executadas com êxito. Sem ele as perdas seriam muito maiores”, concluiu.

Até o começo de dezembro, o município contabilizou 4.676 casos confirmados da doença, com 85 óbitos. A experiência foi reconhecida como o melhor trabalho da região Centro-Oeste durante a I Mostra Virtual Brasil, aqui tem SUS.

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