Especial Brasil, aqui tem SUS: benefícios da auriculoterapia na saúde dos profissionais em Cerro Corá-RN - CONASEMS

Especial Brasil, aqui tem SUS: benefícios da auriculoterapia na saúde dos profissionais em Cerro Corá-RN

Cerro Corá é um município reconhecido por suas belezas naturais e pelo clima frio em pleno sertão nordestino. A maior parte dos seus 11.181 habitantes vive na zona rural da cidade, localizada no estado do Rio Grande do Norte e distante 200 km da capital. A insegurança causada pela pandemia e a radical mudança na rotina de Cerro Corá, antes muito frequentada por turistas, contribuíram para o agravamento de transtornos psicológicos como ansiedade e depressão entre seus moradores. Muitos profissionais de saúde, afetados pelo medo de contaminação e pela dúvida quanto ao manejo da doença, intensificaram o consumo de ansiolíticos, em especial o Rivotril.

“Com o início da pandemia, percebemos que os profissionais das unidades de saúde estavam ficando muito estressados e com medo, principalmente pela falta de informações. Tudo era muito novo. Então avaliamos que era necessário cuidar deles primeiro para que pudessem cuidar de outras pessoas”, afirmou Caroline Guimarães, integrante da equipe multidisciplinar do município. O aumento pela procura dos medicamentos nas unidades de saúde levou a gestão a buscar alternativas de tratamento junto à equipe multidisciplinar. “Mesmo antes da confirmação do primeiro caso de Covid-19, a busca por psicotrópicos cresceu na Atenção Básica. Fomos então procurados pela Secretária de Saúde para saber o que poderíamos fazer para diminuir a necessidade de usar os ansiolíticos”, lembra o fisioterapeuta e autor da experiência, Disllane Coutinho.

A equipe multidisciplinar realiza Práticas Integrativas e Complementares (PICS) desde 2017, o que motivou a escolha de tratamento dos profissionais de saúde através da auriculoterapia, um método que se baseia na ideia de que o pavilhão auditivo da orelha é um micro sistema onde todo corpo é representado. Considerada uma parte da acupuntura, essa técnica promove a estimulação mecânica de pontos específicos da orelha para aliviar dores e tratar problemas físicos e psíquicos. As outras práticas desenvolvidas pelo grupo envolvem a meditação, reiki, acupuntura e lian gong.

De acordo com Disllane, a auriculoterapia foi considerada a melhor prática por ter menos possibilidade de contágio, já que o contato é mais limitado entre as pessoas. Inicialmente, 25 profissionais de saúde foram selecionados para participar do projeto, desenvolvido entre os meses de abril e maio. Com o passar do tempo, mais 10 trabalhadores das áreas de limpeza e transporte das unidades de saúde foram incluídos. Uma das vantagens do projeto foi a manutenção do tratamento sem que os profissionais precisassem se deslocar dos seus lugares de trabalho. A equipe, formada por um fisioterapeuta, uma nutricionista e uma psicóloga, visitava semanalmente as cinco unidades de saúde do município, sendo três situadas na zona rural e duas na zona urbana.

Resultados

No início e no final do mês foram aplicadas algumas escalas para aferir os resultados do tratamento. De acordo com Dislane, em quatro semanas de aplicação foi possível ver resultados muito eficazes. “As pessoas relataram aumento na qualidade do sono, melhor rendimento no trabalho, diminuição da ansiedade, o que resultou na redução da quantidade de medicamentos utilizados, sobretudo ansiolíticos”, atesta o autor da experiência. Com a melhora da sintomatologia, as aplicações passaram a ser realizadas por demanda espontânea. Quando os profissionais sentem necessidade de aplicação procuram a equipe no ambulatório situado no anexo de uma das UBS.

“Antes mesmo dos primeiros casos acontecerem no nosso município, já sabíamos que teríamos um grande enfrentamento pela frente. Foram dias difíceis, voltava para casa nervoso, sem saber se estava com o vírus e poderia contaminar alguém que amo. Então acabei desenvolvendo ansiedade, insônia e estresse ocupacional. Ainda não está sendo fácil, mas com as práticas integrativas como a auriculoterapia pude encontrar um pouco mais de conforto e entender que para cuidar do outro é preciso primeiro cuidar de mim”, relatou o profissional de saúde Yuran Rosevellt. Experiência semelhante viveu a profissional de limpeza do postinho, Maria de Fátima, que revela momentos de muito medo e nervosismo. O tratamento a deixou calma e permitiu que voltasse a dormir bem. “Pude ficar mais tranquila para o meu trabalho”, conta.

Até 13 de outubro, 100 moradores de Cerro Corá foram diagnosticados com Covid-19. Dentre eles, 20 profissionais de saúde. A experiência representou o estado do Rio Grande do Norte durante a I Mostra Virtual Brasil, aqui tem SUS.

Confira abaixo a transmissão ao vivo da apresentação do projeto de Cerro Corá-RN:

 

 

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