Especial Brasil, aqui tem SUS: A importância do uso correto de EPIs no enfrentamento à pandemia em Porto Velho-RO - CONASEMS

Especial Brasil, aqui tem SUS: A importância do uso correto de EPIs no enfrentamento à pandemia em Porto Velho-RO

Porto Velho, capital de Rondônia, é o maior município do Estado, com 540 mil habitantes. Até outubro, a cidade contabilizava 70 mil casos de Covid-19 e 141 óbitos provocados pela doença. Além das ações preventivas e de readequação da rede de saúde para garantir o cuidado, uma experiência mostrou a preocupação em proteger os profissionais de saúde que estavam na linha de frente no enfrentamento da pandemia. Quando a doença começou a se disseminar no país, havia pouca informação disponível sobre paramentação e desparamentação dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), o que levou uma equipe de residentes do Hospital João Paulo II, especialista em traumas (adaptado para atender os casos de Covid), a criar um protocolo de biossegurança.

Quatro enfermeiras haviam acabado de ingressar no Programa de Residência em Urgência e Emergência do hospital quando a doença começou a se disseminar. Resolveram então se debruçar sobre a literatura disponível, consultando documentos oficiais, artigos científicos, vídeos, em busca das melhores informações para ensinar aos trabalhadores da saúde sobre autoproteção. Os primeiros profissionais a receberem o treinamento fazem parte das equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). As enfermeiras caíram em campo e entre um salvamento e outro foram treinando os socorristas sobre paramentação e desparamentação. O trabalho, que se estendeu de abril a agosto, foi se disseminando por outras unidades de saúde através da ação de multiplicadores e, por fim, ultrapassou as fronteiras do próprio Sistema Único de Saúde (SUS).

A autora da experiência, Makilane Alves Robertino do Nascimento, conta que a equipe de residentes passou a se perguntar como seria possível ajudar os profissionais de saúde nesse enfrentamento. Para dificultar ainda mais as condições de trabalho, por um grande período de tempo os servidores tiveram que racionalizar e reutilizar materiais como a máscara N95, que estava se tornando indisponível no mercado. “Foram momentos difíceis, estávamos iniciando a nossa residência de urgência e emergência. Entramos no dia 2 de março e logo depois começaram a surgir os casos. Era tudo muito novo, a bibliografia era difícil, mas foi evoluindo com o passar do tempo. A partir da nossa disponibilidade, fomos nos misturando aos serviços e resolvendo in loco com as equipes que estavam de plantão”, recorda a enfermeira.

A rede de saúde especializada de Porto Velho conta com duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAS) municipais, um Centro de Especialização que se tornou Centro de Referência em Covid, e dois hospitais do Estado, o João Paulo Segundo, que é referência em traumas, e o Cosme e Damião, especialista em atendimento infantil. Foram criadas mais duas unidades especializadas com atendimento exclusivo de Covid-19, equipadas com 70 leitos de enfermaria e 22 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).  O auge da pandemia foi em agosto e setembro, quando a ocupação dos leitos chegou a 100%. Em outubro se evidenciava redução das internações, inclusive com desativação de leitos.

“A capacitação em paramentação e desparamentação ofertada pelas enfermeiras residentes do Programa de Urgência e Emergência veio em um momento muito difícil enfrentado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, marcado por dúvidas e incertezas quanto ao uso correto dos EPIs. Foi possível ver na prática que após essas capacitações os profissionais passaram a ter mais segurança quando ao atendimento de pacientes com Covid-19. Então foi de grande valia para o serviço e consequentemente para a melhoria na qualidade da assistência prestada pelos profissionais”, reconhece a enfermeira Mara Bastos, do Núcleo de Educação Permanente do SAMU.

Proteção segura

De acordo com dados do Conselho Regional de Enfermagem, até o mês de outubro, 700 profissionais de saúde haviam sido contaminados pela Covid-19 e 58 morreram em consequência da doença. O crescimento na incidência dos casos se refletiram no aumento da busca pela adoção de protocolos de segurança. A equipe chegou a ser solicitada a realizar o treinamento em outras localidades e o trabalho se estendeu aos profissionais de segurança pública.

A Penitenciária Federal de Porto Velho é o terceiro presídio de segurança máxima do Brasil, onde se concentra uma grande população carcerária. Diante da exposição dos agentes penitenciários à contaminação por Covid-19, foi solicitada a realização do treinamento sobre paramentação e desparamentação dos Equipamentos de Proteção Individual no setor de segurança pública. Equipes ligadas ao Departamento Penitenciário (DEPEN), sobretudo as que precisam transportar os encarcerados, receberam o treinamento.

As ações educativas em torno do fortalecimento da biossegurança também chegaram à Atenção Básica. As equipes de enfermagem do Programa de Educação para o Trabalho em Saúde (PET-Saúde) da Universidade Federal de Rondônia foram treinadas para atuar como multiplicadoras nas Unidades Básicas de Saúde, na Estratégia Saúde da Família e deram continuidade ao trabalho na Secretaria de Justiça (Sejus).

“O que a gente tirou dessa experiência, algo que ninguém tinha vivenciado, foi a renovação da nossa profissão. A gente se reinventou. Tivemos que deixar a rotina de lado para lidar com a situação nova. Por estarmos iniciando essa especialização, nos foi dada a confiança de treinar os que vinham atuando. Foi caótico, mas o reconhecimento foi gratificante”, avalia Maria Beatriz Cociuffo Vilela, outra enfermeira da equipe de residentes.

A experiência de Porto Velho representou o Estado de Rondônia na quinta live da I Mostra Virtual Brasil, aqui tem SUS durante a 5ª Roda de Conversa, confira o vídeo na íntegra:

 

 

 

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