Especial Brasil, aqui tem SUS: A importância da intersetorialidade no combate a pandemia da Covid-19 em Sítio Novo-TO - CONASEMS

Especial Brasil, aqui tem SUS: A importância da intersetorialidade no combate a pandemia da Covid-19 em Sítio Novo-TO

Sítio Novo do Tocantins (TO) é um pequeno município de aproximadamente 10 mil habitantes situado em uma região de saúde denominada Bico do Papagaio, que reúne 24 cidades. Em função da distância territorial em relação aos maiores centros urbanos, o município enfrenta dificuldades relacionadas à vulnerabilidade social. O único hospital de referência para atender a população, 100% usuária do Sistema Único de Saúde (SUS), localiza-se em Augustinópolis, a 38 km de distância de Sítio Novo.

A maior parte dos moradores vive em povoados na zona rural e não dispõe de renda fixa. Sem indústrias na região, eles dependem do pequeno comércio, da agricultura familiar e do Estado, hoje considerado o maior empregador formal. Nesse contexto, o que dizer sobre a recomendação das autoridades sanitárias para adotar o isolamento social como principal medida de prevenção ao corona vírus? “A frase que mais ouvimos foi: Fique em casa! Mas como ficar em casa de taipa, sem estrutura, sem emprego, sem internet? As pessoas têm medo de pegar Covid, mas têm mais medo ainda da fome”, afirmou o analista de saúde e autor da experiência, Paulo César Duarte Farias.

Foi então que surgiu a ideia de adaptar um projeto social do município, denominado Programa Prefeitura em Ação, ao contexto da pandemia. Antes do isolamento eram realizados mensalmente mutirões nas regiões mais afastadas para levar às comunidades serviços de assistência social, saúde, educação, cultura, esporte e lazer. O trabalho era voltado sobretudo para os povoados das zonas rurais. Diante da necessidade de manter a oferta dos serviços, evitando aglomerações, os profissionais desenvolveram uma proposta de intervenção que visava manter as pessoas em casa de forma digna.

Para isso foi necessária uma conjunção de esforços que resultou em um trabalho intersetorial voltado à garantia da equidade. Da educação vinha o desafio de manter as crianças que não tinham acesso às aulas remotas estudando. O material didático passou a ser impresso e entregue nas residências para que elas pudessem acompanhar as atividades com a ajuda das famílias. Os professores assessoram os alunos por telefone e depois recolhem as lições para avaliar.

A assistência social passou a distribuir alimentos para assegurar a permanência das pessoas em casa sem a ameaça da fome. Foram entregues mais de 5.250 cestas no total e aproximadamente 300 marmitas por dia. O auxílio foi distribuído entre os beneficiários dos programas sociais da Prefeitura, integrantes cadastro único, e também movimentou a pequena economia local porque a matéria prima foi comprada dos pequenos e médios agricultores da região.

À saúde coube a intensificação das ações preventivas, além de todo trabalho de reorganização da assistência, implantação de serviços de testagem e criação do Centro de Enfrentamento ao Covid-19. Cada morador da cidade recebeu um kit de higiene em casa contendo máscaras, álcool e sabão. Foram distribuídos no total 10 mil kits. Mulheres como Romilda, Maria de Lourdes, Bárbara e Maria Mercê, moradoras de bairros periféricos do município, agradeceram a ajuda governamental, sobretudo a alimentação recebida.

“A gente vê os resultados positivos quando analisa o quadro epidemiológico. As pessoas ficaram em casa, mas satisfeitas, se sentindo assistidas. Hoje, confiam no sistema público de saúde e embora saibam que estão em perigo, podem contar com o governo municipal”, comemora Paulo. Até setembro, foram registrados cinco óbitos e há apenas seis pessoas em tratamento, com sintomas leves. A experiência foi apresentada na terceira live da I Mostra Virtual Brasil, aqui tem SUS.

A experiência foi apresentada na terceira Roda de Conversa do Conasems, durante a I Mostra Virtual Brasil, aqui tem SUS. Confira a transmissão ao vivo:

 

 

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