“Drive Fluvial” é uma das estratégias de vacinação em áreas ribeirinhas - CONASEMS

“Drive Fluvial” é uma das estratégias de vacinação em áreas ribeirinhas

Diante do cenário da pandemia, todos os municípios estão focados nos esforços para a vacinação contra a Covid-19. São milhares de experiências que retratam a capacidade, a diversidade e a potência do SUS. Com o objetivo de dar visibilidade para as boas práticas, o Conasems promove diversas ações como a Mostra Brasil, aqui tem SUS, que acontece há 16 anos, e a campanha #oSUSquefazemos, que já soma mais de mil postagens no Instagram, sempre com o objetivo de valorizar o trabalho dos profissionais de saúde e da gestão municipal.

Para somar a essas ações, o Conasems lança hoje uma série de reportagens especiais sobre experiências exitosas no enfrentamento à Covid-19, que destacam o trabalho das equipes em organizar os serviços e promover a vacinação. As reportagens serão lançadas quinzenalmente no site do Conasems. A primeira reportagem desta série traz a experiência de Santarém-PA. Confira:

 

“Drive Fluvial” é uma das estratégias de vacinação em áreas ribeirinhas

A vacinação da população ribeirinha no município de Santarém-PA conta com um “drive thru” diferente, o “drive fluvial”, uma espécie de posto de vacinação no meio do rio, para onde os moradores se dirigem para receber a vacina contra a Covid-19 em suas rabetas, que são pequenos barcos motorizados muito utilizados nas áreas ribeirinhas da Região Norte.

Os povos ribeirinhos que vivem às margens do rio Arapiuns situam-se entre os mais afastados da sede de Santarém, município localizado na região oeste do Pará. Para alcançar as comunidades isoladas é necessário fazer uma travessia de barco que dura 20 horas até alcançar a cachoeira do Aruã, que interrompe o curso do rio. Depois é preciso subir a cachoeira a pé e pegar outra embarcação por mais sete horas até chegar à última localidade.

Santarém é a terceira cidade mais populosa do Pará, com 306.480 habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O município tem na sua zona rural duas regiões bem distintas denominadas área de planalto, cuja locomoção é permitida por via terrestre, e área de rios.

Equipe de saúde em deslocamento pelo rio Arapiuns para vacinar comunidade ribeirinha 

A dimensão espacial da região norte é maior que países como a Espanha, por exemplo, e impõem um grande desafio logístico na distribuição de vacinas. Primeiro a vacina chega dos pontos de referência das capitais à sede dos municípios por via aérea, fluvial ou rodoviária. O segundo desafio é fazer com que essa vacina seja levada às regiões mais afastadas. Os profissionais carregam consigo um sistema de refrigeração das vacinas, que inclui caixas térmicas com termômetros acoplados e gelox, um tipo de gelo artificial rígido. “O enfermeiro vai cuidando dessa vacina como quem cuida de um filho”, observa a coordenadora da Atenção Básica, a enfermeira Irlane Maria Figueira da Silva.

Em uma das expedições de vacinação ao longo do rio Arapiuns, a equipe chegou em uma das comunidades antes da cachoeira, confiando na presença de energia elétrica para manter os imunizantes refrigerados por um tempo mais prolongado, que permitiria alcançar as localidades mais afastadas. Mas se deparou com a ausência de energia elétrica, o que impossibilitou seguir o esquema de vacinação dos grupos prioritários conforme cronograma nacional.

 

A coordenadora da Atenção Básica conta que o município de Santarém, diante das dificuldades logísticas, criou mecanismos que possibilitaram agilidade na vacinação do público prioritário. Estoques das vacinas chegaram de helicóptero e a secretaria inaugurou o “drive fluvial”, uma espécie de posto de saúde volante no meio do rio, para onde os moradores se dirigiam em suas rabetas para receber a vacina. “Fizemos um trabalho intensivo com as populações situadas nas regiões ribeirinhas por medo que a Covid-19 dizimasse comunidades inteiras”, ressalta Irlaine.

A experiência de Santarém demonstra que o SUS é uma das maiores políticas do mundo, principalmente em relação ao alcance da população e a promoção do acesso a saúde. “Temos que reconhecer e agradecer ao SUS, um dos poucos sistemas de saúde do mundo que consegue ter esse nível de capilaridade, levando em conta a amplitude do Brasil. Quando estamos incentivados a fazer e temos o apoio, o SUS realmente é o maior”, destaca o presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Estado do Pará (Cosems PA) e vice-presidente do Conasems, Charles Tocantins.

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