Especial Brasil, aqui tem SUS: Capixaba-AC fortalece ações de monitoramento e contém pandemia - CONASEMS

Especial Brasil, aqui tem SUS: Capixaba-AC fortalece ações de monitoramento e contém pandemia

Quando surgiu o primeiro caso de contaminação por Covid-19 no estado do Acre, em 17 de março, o município Capixaba criou uma unidade sentinela para concentrar o atendimento e o monitoramento dos pacientes com síndrome gripal. Na cidade, de apenas 12 mil habitantes, não há hospital ou unidade de média complexidade e a distância em relação à Senador Guiomar, município de referência mais próximo, é 44 km. A doença chegou em Capixaba quase um mês depois do primeiro registro no Estado, mas foi determinante para a modificação da estratégia de cuidado.

Nas duas semanas seguintes, identificou-se um crescimento exponencial dos casos, inclusive com o registro de dois óbitos. Diante das incertezas em torno da melhor estratégia de enfrentamento, a gestão resolveu intensificar as ações de controle, através da criação de uma Equipe de Monitoramento Municipal da Covid-19. Iniciava-se aí um processo de integração entre Vigilância em Saúde e Atenção Básica com bons resultados. A unidade sentinela foi mantida como local de referência para o suporte assistencial, mas as ações de Vigilância foram fortalecidas para a diminuição do avanço da contaminação.

Capixaba tem cinco Unidades Básicas de Saúde (UBS), sendo duas ligadas à Estratégia Saúde da Família (ESF) e uma que oferece atendimento 24 horas, com sala de observação, onde foi montado o espaço de referência Covid-19. Como era a maior unidade, algumas áreas puderam ser isoladas para atendimento exclusivo dos casos da doença e os atendimentos odontológicos e de pré-natal, além da sala de vacinação, foram remanejados para outros locais, permanecendo ali apenas o SAMU 24 horas.

“Logo que o primeiro caso foi confirmado, tivemos muito cuidado, orientando a população sobre a importância de prevenir a doença, inclusive se mantendo em casa. Isso ajudou bastante a retardar o avanço, mas com o tempo a unidade de referência começou a lotar e os profissionais não tinham condições de atender, monitorar e assistir as famílias. Por isso surgiu a ideia da equipe de monitoramento, formada por profissionais que já estavam na linha de frente”, conta a autora da experiência e coordenadora da Atenção Básica (AB), Mariana Uchôa Pereira. O grupo é constituído por três técnicos da Vigilância, um médico, um odontólogo, um enfermeiro, um assistente social e uma gestora em saúde coletiva.

A equipe passou a acompanhar pacientes confirmados e que aguardavam o resultado dos exames, de acordo com um protocolo estabelecido com a médica do grupo: idosos e pessoas com comorbidades eram contactadas todos os dias; jovens ou adultos com sintomas leves, a cada dois dias. Os exames para confirmar a contaminação por Covid-19 eram encaminhados para a capital Rio Branco e por isso demoravam até sete dias para voltar. Nesse período o usuário se mantinha sob cuidado, respeitando as recomendações de isolamento, e a alta só era concedida após 14 dias a partir do primeiro sintoma, seguidos de mais três dias assintomático.

Árvore da vida

O paciente que não evolui bem é acompanhado pela médica do grupo ou direcionado para atendimento na unidade de referência. Karina Guimarães e a filha de dois anos contraíram Covid-19 do marido em maio de 2020. Como acabara de se recuperar de uma pneumonia, teve sintomas severos da doença, como falta de ar, febre e dores de cabeça. Ela conta emocionada suas idas e vindas à unidade de saúde do município e da capital e, sobretudo, como foi importante ser acompanhada pela equipe de monitoramento. “Minha família e eu tivemos todo o apoio dos profissionais. Desenvolvi carinho, um amor enorme e gratidão por essas pessoas. Eles foram essenciais nesses dias”.

Alguns moradores da zona rural que foram à cidade realizar o exame de Covid-19 não retornaram para buscar os resultados. A equipe se engajou em uma busca ativa que envolveu contato com vizinhos, agentes de saúde da região, com o objetivo de evitar a disseminação dos casos ou o agravamento da doença. Até o começo de dezembro o município teve 277 casos confirmados, sendo 257 recuperados e 8 óbitos. Os casos vinham se estabilizando mas voltaram a crescer nas últimas duas semanas.

Na unidade sentinela foi montada uma árvore da vida, onde cada pessoa que recebe alta assina o nome. O gesto simbólico é também um momento de troca. “A gente não saiu dessa pandemia da mesma forma. Mudou o modo de viver, de ver e conviver. Nós, profissionais da saúde, somos outros e sem o SUS não teríamos conseguido. Não acabou, ainda temos muito o que lutar. Eu não peguei Covid e não quero pegar, mas todo dia é um dia único”, reflete a coordenadora da AB.

A experiência foi considerada a melhor da Região Norte durante a I Mostra Virtual Brasil, aqui tem SUS, promovida pelo Conasems.

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