A agilidade da imunização por meio da comunicação efetiva - CONASEMS

A agilidade da imunização por meio da comunicação efetiva

“O sentimento é de estar vivendo em um mundo onde não há chão para pisar e, mesmo assim, é preciso dar o próximo passo”.  A frase, da secretária municipal de saúde do município de Paranaíta, Andreia Fabiana dos Reis, traduz a sensação de centenas de profissionais de saúde que assumiram a linha de frente no controle da pandemia. A experiência acumulada nas três ocasiões em que conduziu a gestão municipal da saúde – em 2004, 2012 e 2018 – não diminuiu o seu anseio diante do desafio que estava por vir. “Sentir que a condução da vida de tantas pessoas está sob sua responsabilidade é aterrorizante. A principal lição que tiramos de tudo isso é a demonstração da força e união do SUS (Sistema Único de Saúde). Nunca ficou tão evidente para o mundo o quanto os trabalhadores da saúde são guerreiros e entregam suas vidas pela vida do próximo”, enfatiza.

Paranaíta é um pequeno município do Mato Grosso, de quase 12 mil habitantes, segundo última estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que recentemente recebeu um grande contingente populacional em função da construção de duas usinas hidrelétricas. As ações de enfrentamento à pandemia no município, como em todas as cidades do país, ganharam contornos mais suaves com o início da vacinação contra a COVID-19. Isto porque gradativamente os agravamentos, as internações e as mortes foram diminuindo na medida em que a imunização ia aumentando. Na luta contra o tempo, uma estratégia adotada no município foi evitar que as vacinas se mantivessem nos refrigeradores, mesmo que por poucas horas.

Para que o esquema vacinal desse certo com a agilidade esperada, foi realizado um estudo com o intuito de identificar onde a população acessava as informações com mais rapidez e constatou-se a efetividade das redes sociais – especificamente Facebook e WhatsApp – e do rádio. “Estabelecemos uma linha de comunicação contínua, onde falamos com a população o tempo todo. Eles estão cientes de que, tão logo chegue a vacina, a gente comunica”, detalha a secretária. A presença dos agentes comunitários de saúde no cotidiano das famílias também tem tornado a população mais adaptada à rotina vacinal, que se estabelece por meio de convocações imediatas. “Tomemos um exemplo: se o escritório regional nos passa a previsão de que a vacina vai chegar às duas da tarde, começamos a vacinar às três e seguimos até às nove horas da noite”, enfatiza.

Paradoxalmente, a urgência em avançar contra a pandemia não corresponde ao tempo previsto de sua duração, por inúmeros motivos como a presença de variantes do vírus. Nesse sentido, Paranaíta organizou o trabalho das suas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF), compreendendo que a vacinação pode perdurar durante muito tempo. “Pensamos em algo que possa estar dentro da rotina das unidades, considerando que a Covid-19 vai demorar e não temos recursos para manter equipes extras por tanto tempo”, pontua a secretária. Na cidade há três grupos de ESF urbanos e um rural. Eles trabalham em esquema de revezamento, o que significa que quando um está alocado para o esquema vacinal, os outros cobrem a sua área de abrangência para que a população não fique desassistida.

Vida no campo

A maioria da população de Paranaíta vive na zona rural. Estima-se que na área urbana residam em torno de 4 a 5 mil pessoas. A zona rural é povoada por moradores do assentamento São Pedro, com 805 famílias, e de fazendas da região. A população do campo é acompanhada por uma equipe da Estratégia Saúde da Família e nove agentes comunitários de saúde, que garantem uma cobertura de 100% do território.

Para atrair as pessoas que ainda não se vacinaram, os profissionais têm criado mecanismos de sensibilização e montado a estrutura de vacinação em horários diferenciados, como aos sábados, para possibilitar que os trabalhadores das fazendas possam se imunizar. “Sempre tem um e outro que oferece resistência, sobretudo medo da vacina, mas alguns não têm oportunidade. Criamos estratégias de convencimento e de acesso para as pessoas se imunizarem”, conta a coordenadora da ESF rural, a enfermeira Jesiane Félix Rosa Ramos. Até o final de setembro, o município estava fazendo busca ativa de retardatários acima de 18 anos.

Erika Matias Filho tem 28 anos e já recebeu as duas doses da vacina. Mãe de duas meninas, uma de sete e outra de dois anos, ela levou a família para conhecer a zona rural de Paranaíta, onde moram seus pais e tios. Eles gostaram tanto que resolveram ficar. Erika e o esposo saíram do comércio de materiais de construção na capital paulista para trabalhar na pecuária em Paranaíta. “Meu marido diz que deixamos de lidar com gente para lidar com os animais”, conta. Ela elogia o esquema de vacinação do município, que classifica como organizado, e agradece a oportunidade. “É um sinal de esperança. Ninguém imaginava viver com esse vírus”. O boletim epidemiológico do município contabilizava, até o dia 15 de setembro, 3.005 casos confirmados doença, dos quais 2.915 recuperados e 32 óbitos.

Compartilhar