ALAGOAS: Ações na Atenção Básica podem reduzir casos de Hanseníase - CONASEMS
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Gestão | 19/01/2011

ALAGOAS: Ações na Atenção Básica podem reduzir casos de Hanseníase

seminario_sobre_HANSEANIASE_5
seminario_sobre_HANSEANIASE_5A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) promoveu nesta terça-feira (18) o Seminário “Hanseníase: Diagnóstico e Tratamento Precoce sem Deixar Marcas”, com o objetivo de discutir com técnicos do Ministério da Saúde e das secretarias municipais de saúde do Estado o controle da doença em Alagoas. O evento contou com a participação da Coordenadora Nacional do Programa de Hanseníase, Maria Aparecida Grossi, que destacou a iniciativa da Sesau diante dos casos notificados e confirmados das doenças nos municípios alagoanos. Durante muito tempo a doença também ficou conhecida por lepra.

O seminário marca a abertura da Campanha Mundial de Combate à Hanseníase em Alagoas. O dia mundial de combate à hanseníase será comemorado no próximo dia 30. Durante o evento, os técnicos conheceram detalhes sobre a evolução da hanseníase no mundo, no Brasil e em Alagoas. A hanseníase é um sério problema de saúde pública. A prevenção, diagnóstico e tratamento precoce são ações prioritárias para o controle e cura da doença.

O Brasil ocupa o 2º lugar no mundo em número de casos. A Índia é o primeiro lugar no mundo entre os 121 países apontados pela OMS com os maiores registros de casos de hanseníase. Apesar da redução do número de casos registrados nos últimos dez anos, a taxa de incidência da hanseníase é considerada alta no Brasil, principalmente nas regiões do Norte e Nordeste.

Em Alagoas, a coordenadora do Programa Estadual de Hanseníase, Fagna Souza, afirmou que o estado registrou, no ano passado, 333 casos de hanseníase. Os registros foram feitos em 58 municípios. O número é menor do que o registrado em 2009 quando o Estado notificou 409 casos.

Entre os municípios alagoanos, os que mais registram casos de hanseníase são Arapiraca, Coruripe, Delmiro Gouveia, Maceió, Palmeira dos Índios, Penedo, Pilar, Rio Largo, Santana do Ipanema, São Miguel dos Campos, Teotônio Vilela e União dos Palmares. Juntas, essas cidades são responsáveis por 80% dos casos de hanseníase registrados em Alagoas.

A gerente de Agravos de Transmissão Respiratória, Sexual e Doenças Imunopreveníveis, Ednalva Araújo, afirmou que o governo estadual investiu na descentralização das ações para o diagnóstico e tratamento precoce da hanseníase com o intuito de combater o aumento da doença. “A redução dos casos notificados é conseqüência das ações desenvolvidas pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), em parceria com os 102 municípios alagoanos”, destacou Ednalva Araújo.

Os profissionais que trabalham nas equipes do Programa da Saúde da Família (PSF) também foram capacitados pela Sesau. Isso porque, de acordo com Ednalva Araújo, os profissionais da Atenção Básica são os responsáveis pela prevenção de 90% dos casos de hanseníase que podem vir a se manifestar.

“A hanseníase atinge a pele e os nervos dos braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas é longo e pode variar de dois a até mais de dez anos. A doença pode causar deformidades físicas, que podem ser evitadas com o diagnóstico precoce e tratamento imediato. O tratamento dura seis meses para os casos não graves e até 12 meses para os casos mais graves”, explicou a técnica da Sesau, acrescentando que em Alagoas são referências para o atendimento aos casos da doença, o Hospital Universitário e a Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas (Adefal).

A coordenadora do Morhan em Maceió, Rejane Rocha, destacou que a maior preocupação dos programas de combate à hanseníase está voltada para o aumento no número de casos registrados em crianças de 5 a 12 anos. “Além do aumento de casos entre pessoas dessa faixa etária, o aumento de pessoas com sequelas e incapacidades físicas simbolizam uma endemia oculta e para combater a doença, a única solução é procurar ajuda médica”, revelou Rejane Rocha, explicando que há pessoas que convivem com a doença e passam até cinco anos sem apresentar sintoma algum.

Transmissão e Tratamento – A doença é transmitida por meio das vias respiratórias, ou seja, tosse e espirro. A transmissão se dá entre pessoas. Um paciente que apresenta a forma infectante da doença, estando sem tratamento, elimina o bacilo pelas vias respiratórias (secreções nasais, tosses, espirros), podendo assim transmiti-lo para outras pessoas suscetíveis. O Bacilo de Hansen tem capacidade de infectar grande número de pessoas, mas poucas adoecem, porque a maioria tem capacidade de se defender contra o bacilo.

“Uns dos principais sintomas são manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo com diminuição ou perda da sensibilidade ao calor, à dor e ao tato”, relacionou Fagna Souza. O tratamento é feito nas unidades básicas de saúde e as pessoas que moram com alguém que recebeu o diagnóstico de hanseníase devem ser também examinadas nos serviços de saúde e orientadas para reconhecer os sinais e sintomas da doença.

A doença pode causar deformidades físicas, evitadas quando o diagnóstico é feito no início da doença e o tratamento é imediato. “A melhora do paciente está diretamente ligada à precocidade no diagnóstico da hanseníase, uma doença totalmente tratável e curável”, lembrou a coordenadora do Programa.

Ainda durante o seminário, foram apresentadas experiências exitosas do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), os eixos do Programa Nacional de Hanseníase e Propostas de Ações para a Campanha do Dia Mundial de Combate à Hanseníase, o Planejamento Estadual para o Tratamento da Doença e os indicadores da hanseníase em Alagoas.

Homenagens – Durante o evento, a Sesau homenageou os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e assistentes sociais) que contribuíram para o desenvolvimento do Programa de Hanseníase em Alagoas no decorrer das últimas décadas.

Os profissionais homenageados foram: Alberto Cardoso, Aldo Cardoso (in memorian), Ângela Pomini, Célida Malta, Clodis Tavares, Eliane de Santa Maria Aroucha, Eliane Moura, Eliane Vilela, Fátima Rodrigues, Gleide Falcão, Gutemberg Silva (in memorian), José Carlos Tavares Valeriano, José Rodrigues, Josinete Rocha, Lúcia Rodrigues, Maria do Socorro Medeiros, Maria José Gomes, Maria Lucélia da Hora Sales, Maria Luiza dos Anjos, Mônica Torres, Renilda Pimentel, Raquel Guimarães, Raquel Patriota, Rita Freitas, Rute Evaristo, Piaçu dos Santos e Josinete Marques.
 

Assessoria de Comunicação da Secretaria de Saúde de Alagoas 

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