Relação entre SUS e saúde privada é destaque do 2º dia do Fórum de Debates

06/12/2018

O segundo dia do 3º Fórum de Debates “Novo Regime Fiscal: Efeitos na Saúde”, aconteceu nesta quarta-feira (5), em São Paulo. O evento, realizado pelo Conasems em parceira com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, contou com a presença de Ligia Bahia (UFRJ), Márcio Holland (FGV), Edson Araujo (Banco Mundial), João Pieroni (BNDES), Miguel Cendoroglo Neto (Albert Einstein), Edson Rogatti (Confederação das Santas Casas) e Vítor Manuel Jesus (CONASS).

A professora da UFRJ, Ligia Bahia, enfatizou que um dos maiores problemas do Brasil é que o sistema privado é mais fortalecido que o público. “A maioria dos planos de saúde que cobram barato ‘te dão direito ao SUS’. A parcela da população que tem um bom plano de saúde é muito pequena, mas mesmo assim em situações urgentes acaba sendo atendido pela saúde pública”.

Em relação aos estudos de modelos de economia apresentados durante o evento, Lígia comentou que “é preciso olhar para nossa realidade. O que temos é bem diferente de um modelo ideal”. Sobre impostos, a professora enfatizou “Não é possível que o Brasil não consiga aumentar sua arrecadação. Por que as grandes empresas não pagam nenhum real de imposto? Eu sou a favor de rever essa situação, se não tiver imposto não tem SUS, nem educação de qualidade”.

Professora Ligia Bahia problematizou o acesso de quem tem planos de saúde ao SUS

Edson Rogatti, das Santas Casas, falou sobre a necessidade de termos uma política de estado comprometida com a população e não uma política de governo. “O país tem que dar prioridade para saúde e educação, se não investir no básico, vai continuar sendo um país de terceiro mundo. Se for ajustar os gastos públicos, que não seja com o básico que a população precisa para viver com dignidade”.

De acordo com o professor da FGV, Márcio Holland, a discussão vai além da EC 95 do teto dos gastos e engloba a composição dos gastos sociais como um todo. “É preciso discutir uma ‘troca’ de gastos, temos que saber como investir ou vamos cair em um discurso medíocre e ineficiente”. Segundo ele, “O céu não é o limite”, quando o assunto é relacionado aos gastos do governo. “A EC 95 é importante dentro desse cenário, não faz sentido adicionar uma política pública atrás da outra sem analisar a real eficiência e necessidade delas”.

Márcio Holland da FGV defendeu um melhor uso e a eficiência do gasto público

Edson Araujo, do Banco Mundial, destacou que este é um momento oportuno para discussão dos gastos do país. “É claro que existe uma necessidade de controlar os gastos, mas temos que fazer escolhas das prioridades de investimento. A partir dos estudos feitos pelo Banco Mundial, fica evidente o efeito negativo a longo prazo gerado pelo congelamento dos gastos estabelecido pela EC 95”. Araújo também comentou que “o primeiro passo para enfrentar esse desafio é pensar na realidade do país, temos números preocupantes nas pesquisas e nem estamos levando em conta o envelhecimento da população e doenças crônicas, por exemplo, que vão exigir muito mais investimento da saúde nos próximos anos”.

O representante do BNDES, João Pieroni, destacou tópicos que podem favorecer o SUS em um cenário de diminuição de recursos. “Mudança no modelo de atenção à saúde, que tira o foco do hospital e o coloca na atenção básica, integração das redes de saúde, melhoria da gestão das unidades básicas, além da competitividade da indústria alinhadas com as necessidades de saúde do país”. Já Miguel Cendoroglo Neto, do Einstein, comentou sobre o nome “saúde suplementar”. “Se estamos falando de um sistema único, temos que rever esse conceito, acredito que são fontes de financiamento diferentes, mas a saúde está interligada através do Programa de Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), que é um ótimo exemplo. Temos várias ações dedicadas ao SUS dentro desse programa, assim como outros hospitais de excelência”.

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Confira também os vídeos da transmissão do 2º dia do Fórum: