O presidente do Conselho Nacional de Saúde, Antônio Carlos Nardi participou na última quarta-feira, dia 28 de julho, da solenidade alusiva ao Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais e do lançamento da Campanha Nacional de Combate a Hepatites Virais. Estiveram presentes o ministro da saúde, José Gomes Temporão, o superintende da Federal de Atletas Profissionais, Márcio Tanner, o presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia, Raymundo Paraná, o deputado federal, Geraldo Thadeu, a diretora do Departamento DST/AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, o representante do Movimento Social de Hepatite Viral, Jeová Fragoso, e os ex-jogadores da Seleção Brasileira, Paulo César Caju, Félix Miéli Venerando e Jair Ventura Filho, o Jairzinho.
Na ocasião, o ministro da saúde anunciou diversas medidas para hepatites virais a serem alcançadas em dois anos. Segundo o ministro, em 2011, o Ministério da Saúde vai ampliar em 163% o quantitativo de vacinas compradas para a hepatite b e a ampliação da faixa etária de vacinação. Atualmente vai de 0 a 19 anos, com a mudança, jovens e adultos de 20 a 24 anos também serão imunizados. Para aumentar a oferta, nesta primeira etapa serão adquiridos 54 milhões de doses a mais para hepatite B, explica Temporão. O quantitativo perfaz um total de 87 milhões de doses a serem utilizadas em 2011.
Para redução da transmissão vertical do vírus da hepatite B, até 2011 também serão intensificadas a oferta de triagem sorológica a todas as gestantes que fazem o pré-natal no Sistema Único de Saúde (SUS) e todos os recém-nascidos de mães portadoras da doença receberão profilaxia- vacina e imunoglobulinas.
Com o intuito de fortalecer a sociedade civil organizada em relação às hepatites virais, o Temporão anunciou que o Ministério da Saúde, em parceria com a Unesco, também vai lançar um edital para realização de ações de enfrentamento das hepatites. "A medida visa a melhorar a articulação do setor com os serviços do SUS, estimular o diagnóstico precoce e promover mobilizações comunitárias".
Dados: O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do ministério apresenta, pela primeira vez, um documento com os principais números das hepatites virais no País. As medidas anunciadas marcam o Dia Mundial do Combate a Hepatites Virais, conforme resolução apresentada pelo Brasil na 63ª Assembléia Mundial da Saúde, que ocorreu em Genebra de 17 a 21 de maio.
No País, dados do Ministério da Saúde revelam que de 199 a 2009 o total de casos confirmados de hepatite B é de 96.044. Mais de 50% dos casos se concentram entre indivíduos de 20 e 39 anos e cerca de 90% são agudos.
A vacina para hepatite B passou a ser oferecida pelo SUS a partir da década de 1990. A vacinação começou no Norte do País e o quantitativo oferecido foi aumentando gradativamente, conforme levantamento de áreas endêmicas e populações mais vulneráveis. Ela é oferecida em três doses, tanto para crianças quanto para adolescentes. Uma vez imunizado contra hepatite B, o paciente também está protegido de ser infectado pelo vírus D.
A transmissão da hepatite B se dá principalmente por meio de relações sexuais, acidentes com instrumentos contaminados por sangue ou pela gravidez, quando a mãe está infectada.
Em relação à hepatite C, o total de casos confirmados de 1999 a 2009 é de 60.908. Muitas vezes, o paciente descobre a doença quando vai doar sangue. Em geral, são pessoas que fizeram transfusão até a década de 80 ou indivíduos que compartilharam seringas. A hepatite C pode ser uma doença silenciosa, porque os sintomas surgem depois de muito tempo que o vírus se instalou no organismo.
Em geral, a maioria dos casos da hepatite C são descobertos acima dos 30 anos. Os dados alertam para a importância do diagnóstico precoce, pois, quanto mais tarde, maiores são as consequências. Cerca de 70% dos casos de hepatites C ficam crônicos.
Perfil regional - As maiores taxas de detecção da hepatite B, no período de 1999 a 2009, são observadas nas regiões Sul, Centro-Oeste e Norte. E, no caso da hepatite C, as maiores taxas estão no Sudeste e no Sul.
Dados do Ministério da Saúde mostraram que a quantidade de exames oferecidos quase triplicaram nos últimos 5 anos. Em 2009, foram feitos 9,22 milhões de testes para diagnóstico de todas as hepatites. Em 2004, foram 3,59 milhões. O Brasil oferece diversos tipos de exames para o indivíduo que suspeita ter a doença. Para isso, basta ir a uma Unidade de Saúde ou a um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA).
Hepatite A - A hepatite A atingiu cerca de 124.687 indivíduos entre 1999 e 2009, sendo a maioria homens. Mais de 50% dos casos confirmados estão nas regiões Norte e Nordeste. Com o perfil diferente, ela é mais frequente entre crianças abaixo de 5 anos e sua transmissão está ligada a água, alimentos e mãos contaminadas.
Na maioria dos casos de hepatite A, o indivíduo recupera-se totalmente, eliminando o vírus do organismo. A insuficiência hepática aguda grave ocorre em menos de 1% dos casos.
Medicamentos - Desde 2005, quando se iniciou o processo de centralização de compras, já foram investidos quase R$ 800 milhões em medicamentos contra hepatites. O gasto médio com remédio da hepatite C pode variar de R$ 1.562 a R$ 18.441 por tratamento/paciente e o da hepatite B, entre R$ 1.890 a R$ 5.859.
Em 2009, um novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para o tratamento da hepatite crônica B e coinfecções incluiu novos medicamentos, o tenofovir, o entecavir e o adefovir, que junto com o interferon e a ribavirina passaram a ser oferecidos pelo Ministério da Saúde.
Em 2010, foram comprados, mais de 890 mil frascos de medicamentos para as hepatites B e C, por um total de R$ 234 milhões.
No momento, o protocolo clínico da hepatite C está em revisão. Como no tipo A a doença remite naturalmente, não houve gastos com medicamentos específicos.
Para o presidente do Conasems, Antônio Carlos Nardi, esta campanha é importante enquanto um alerta para a importância e gravidade das Hepatites, uma vez que não são fáceis de serem diagnosticadas. "A hepatite é uma doença silenciosa, não tem sintomas", explica. Nardi chama a atenção principalmente aos jovens que não tomam as três doses da vacina, "não tratada e não curada pode evoluir, inclusive para o câncer de fígado".
Dados:
Testes realizados para diagnóstico das hepatites virais:
Tipo 2004 2009
Hepatite A 288.267 mil 488.818 mil
Hepatite B 1,97 milhões 7,22 milhões
Hepatite C 1,33 milhões 1,47 milhões
Hepatite D 697 38.124 mil
Total 3,59 milhões 9,22 milhões
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