Cedro de São João-SE: experiência exitosa integra trabalho dos ACS e ACE

24/08/2017

A eficiência da Atenção Básica à Saúde é condição essencial para responder às necessidades de saúde da população brasileira. Desde 2015, nos diversos fóruns promovidos pelo Conasems e pelo Conass envolvendo gestores e profissionais dos 5.573 municípios e das 27 secretarias estaduais de saúde, ficou evidenciada a necessidade de aprimoramento da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), para adequá-la à situação de saúde que contempla mudanças no perfil etário, epidemiológico, ambiental e nutricional nas realidades das regiões brasileiras. Um dos pontos da atualização dessa Política é integrar no mesmo território o processo de trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e dos Agentes de combate às Endemias (ACE).

O município de Cedro de São João fica no semi-árido sergipano, a 94 km de Aracaju. O povoado de Poço dos Bois, que faz parte do município, tem problemas ambientais que refletem a carência de educação permanente – os moradores sofrem com a falta d’água, e são abastecidos com água de um poço com problemas de potabilidade e frequentes interrupções, fazendo com que os moradores armazenem água em vários depósitos nos quintais, o que aumentou o índice de infestação do Aedes aegypti e, consequentemente, o número de casos de dengue e Chikungunya.

Visando a educação em saúde como estratégia primária para diminuir o índice de infestação do mosquito, a secretaria municipal de saúde elaborou um projeto integrando o trabalho dos ACS e ACE da região. De acordo com o autor da experiência exitosa, Diego Oliveira, que faz parte da equipe dos ACE, o trabalho integrado foi essencial para os bons resultados. “Com o tempo, o problema de abastecimento foi sendo resolvido, porém muitos moradores ainda resistem em possuir estes depósitos, criando um enorme risco para sua saúde, pois além de guardar água sem os devidos cuidados se recusam em permitir o uso do larvicida, dificultando o controle de infestação do mosquito e exatamente nesta conscientização que o trabalho dos ACS foi primordial”.

O morador recebeu, em sua residência, um folder/convite com as atividades que teriam que ser desenvolvidas durante a semana, onde no momento foi aplicado um questionário buscando entender quais eram as dificuldades encontradas no combate ao Aedes. “Foi realizada uma palestra multiprofissional no Centro Comunitário do povoado e atividades educativas nas escolas. Uma equipe de profissionais, composta por ACS e ACE, acompanhou todo o processo, observando a mudança nos locais críticos, avaliando e repensando estratégias, visando melhorar os indicadores que foram observados”, contou Diego. “Sabemos que não é obrigação dos ACS fazer esse tipo de trabalho relacionado à vigilância, porém acredito que ações integradas fazem a diferença. Eles já visitam diariamente as casas, cinco minutos do tempo da visita focados nesse ponto já mudou a realidade do local”.