Brasil aqui tem SUS

Relatos por sala da Mostra Brasil Aqui tem SUS

31/07/2018

CUPUAÇU

A Sala Cupuaçu reuniu 10 municípios das regiões Sul e Nordeste do país. A primeira apresentação da manhã trouxe uma explanação sobre o projeto “Genética no Sertão”, desenvolvido com a Prefeitura Municipal de Santo Estevão, na Bahia. Apresentado pelo doutor Daniel Sann Dias da Silva, que fez da iniciativa uma tese de doutorado, o projeto resultou, entre outras coisas, na implantação de um programa pioneiro de identificação de doenças genéticas na atenção básica. Dias demonstrou a metodologia da pesquisa, que avaliou mais de 600 pessoas, além da realização de mutirões clínicos. Entre os resultados, foi verificado o alto índice de relações consanguíneas, apontadas como um dos motivos do desenvolvimento de doenças genéticas.

 

AÇAÍ

Também com 10 municípios das regiões nordeste, sudeste e centro oeste, uma das experiências compartilhadas na Sala Açaí foi o projeto de Estruturação da Atenção Básica, desenvolvido no município de São Pedro, no Estado de São Paulo. Entre outras coisas, o expositor chamou atenção para o risco de bloqueio de recursos por conta da desestruturação desse serviço. Um dos exemplos citados refere-se às Unidades Básicas de Saúde, que deveriam oferecer 80% de cobertura, mas é algo que ainda não ocorre na maioria dos municípios. Foi abordada também a questão de encaminhamento: o que é de competência do pronto atendimento e das unidades básicas? “Existe um fluxo, mas muitas vezes os próprios funcionários desconhecem esse fluxo”, explicou.

 

CASTANHA DO PARÁ

Na Sala Castanha do Pará, municípios das regiões Sul, Sudeste e Nordeste apresentaram temas ligados à febre amarela, Aedes Aegypti e suicídio de povos indígenas, entre outros. Representantes da Secretaria Municipal de Saúde de São João das Missões, em Minas Gerais, que conseguiu uma redução significativa no índice de suicídios entre povos indígenas, apresentaram os resultados do projeto “Prevenção ao Suicídio nos Povos Indígenas Xacriabás”. “Nosso principal desafio foi a sensibilização das lideranças. Só com esse apoio foi possível desenvolver um trabalho dentro das aldeias”, explicaram. Foi mencionado ainda o papel dos AIS (Agente Indígena de Saúde) e o trabalho conjunto da Secretaria Municipal da Saúde e da Secretaria Especial de Assuntos Indígenas (Sesai), sobretudo a importância das parcerias no combate à subnotificação já que muitos casos acabavam não sendo reportados.

 

GRAVIOLA

A Sala Graviola reuniu 11 municípios de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Alagoas, além do Distrito Federal. Arapiraca, em Alagoas, trouxe para a apresentação o projeto de implantação do ambulatório especial para acompanhamento de recém-nascidos, do qual fez parte também a caracterização do recém-nascido de alto risco no município e a criação de um protocolo e fluxos para esse tipo de atendimento. Foi destacada ainda a ampliação da equipe multidisciplinar e o monitoramento e identificação de 100% dos recém-nascidos de alto risco em Arapiraca. Além, é claro, da redução em 30% desse tipo de nascimento no município.

CARIMBÓ

Entre os projetos apresentados na Sala Carimbó, um dos destaques foi a iniciativa “Consultório Virtual na Pérola do Caeté: A vivência da tele assistência no município de Bragança”. O trabalho demonstrou entre seus resultados a redução do tempo de espera nos casos de exames especializados. O consultório virtual trabalha diretamente com a Central de Regulação, que faz uma triagem das prioridades. “Em muitos casos os pacientes aguardavam tanto que acabavam recorrendo à rede privada, pagando pela realização dos exames”, explicou Suelen Correa, enfermeira coordenadora do programa.

 

TUCUMÃ

Na Sala Tucumã, do município de Lauro de Freitas, na Bahia , Rafael Pitanga trouxe a experiência do “Uso da Hipnose Clínica Odontológica na Atenção Básica como Práticas Integrativas e Complementares Exitosas à Saúde Bucal”. Segundo Pitanga, um dos objetivos/benefícios é livrar os pacientes de traumas e fobias. O método já estaria sendo adotado na Estratégia Saúde da Família. Outro tema apresentado, desta vez por representante do município de Rosário de Limeira, em Minas Gerais, abordou a questão da Carteira de Serviço, sua implantação e importância no fortalecimento da Atenção Primária à Saúde.

PUPUNHA

A cidade de Apiacás, no Mato Grosso, foi um dos 11 municípios a apresentar projetos na Sala Pupunha. A representante da Secretaria Municipal de Saúde expôs e detalhou a iniciativa, que prevê um planejamento participativo e integrado com o envolvimento não só de gestores e profissionais de saúde, mas também da população em geral. Entre os pontos fundamentais para o sucesso do projeto, foi destacada a qualificação das equipes, a ampliação da Estratégia Saúde da Família e o fortalecimento da Atenção Primária. Já entre os resultados positivos, se destacou a redução da mortalidade infantil e a obtenção de um índice de 100% de cura de patologias como a tuberculose, por exemplo.

 

TAPIOCA

“Qualificação do Fluxo de Acesso à Unidades de Pronto Atendimento 24h e Ampliação da Resolutividade do Serviço com Maior Eficiência” foi o tema trazido pelo município de São José de Mipubu, no Rio Grande do Norte, e apresentado na Sala Tapioca. O representante da secretaria municipal de saúde trouxe para a discussão a regulamentação do SUS e os desafios das realidades locais. Em Mipubu, foi feita uma normatização prévia, com controle de fluxos antes da implantação da UPA. “Precisamos fazer uma normatização de toda a rede e inclusive dos atendimentos”, explicou. Municípios de São Paulo, Bahia e Paraíba também apresentaram seus projetos nesta sala.

BACURI

A experiência do município de Afogados da Ingazeira, em parceria com o Ministério Público Estadual, em Pernambuco, foi a iniciativa apresentada pelo gestor Arthur Amorim, na Sala Bacuri. O tema “judicialização da saúde” foi um dos que mais levantou questionamentos durante as apresentações da manhã. A ação do MP e as responsabilidades de municípios, estados e União e como essa relação se dá atualmente em Ingazeira foram alguns dos pontos trazidos para a discussão. “Hoje, nenhum gestor municipal é responsabilizado pelo que é de competência do estado”, frisou. Na sequência, Dilermando Brito, da Secretaria Municipal de Saúde de Recife (PE), falou sobre a metodologia para elaboração dos objetivos e metas do plano municipal de saúde.

BELÉM

A implantação da saúde do trabalhador em unidades sentinelas em Araguaína, no Tocantins, foi uma das experiências apresentadas na Sala Belém. Para Elianora Carvalho, que apresentou o trabalho, um dos pontos críticos foi o alto índice de subnotificação dos casos. Na sequência, foi retomado o tema da judicialização da saúde. Um dos objetivos do projeto desenvolvido em Salvador (BA) foi identificar que municípios respondiam a ações judiciais e quais eram os processos enfrentados. Entre as constatações, está a necessidade de aproximação entre gestores da saúde e promotores de justiça, aumentando a relação de confiança, e a diminuição dos relatos de problemas, que foram muito altos.

 

PARÁ

Entre as apresentações da Sala Pará destaca-se o “Projeto Libélula”, de combate à endemias, uma experiência trazida pelo município de Ibicaraí, na Bahia. O projeto recebeu esse nome porque uma das ações prevê o plantio de Crotalária-Breveflora, uma planta que atrai a libélula, predadora natural do Aedes Aegypti. Seu cultivo se torna, assim, uma forma de prevenção. Também foi abordado o serviço de atenção domiciliar através da experiência do município de Simão Dias, em Sergipe, através do programa “Melhor em Casa”. Ao apresentar o projeto, a representante do município chamou atenção para a importância de identificação dos casos que realmente necessitam de atendimento domiciliar. Entre os aspectos positivos, destacou a desospitalização, com a redução do número de internação.

 

MARAJÓ

Paralela às atividade da 15ª Mostra Brasil Aqui Tem SUS, aconteceu também a primeira Mostra da Rede Colaborativa do Conasems, com a apresentação das experiências regionais do projeto Apoiadores. Na Sala Marajó, que reuniu um grande número de participantes durante a programação do dia, foram apresentados projetos, iniciativas e trocas de experiências entre apoiadores dos COSEMS de várias partes do país. Destaque para projetos de melhoria na gestão de programas do Sistema Único de Saúde (SUS), como o desenvolvido no Amazonas; e a experiência de criação de um coletivo de entes federados para a tomada de decisões voltadas para o atendimento de portadores de HIV/Aids, em Boa Vista (RR). Do Rio Grande do Norte veio a experiência da região metropolitana de Natal, onde foi preciso agir para sensibilizar e envolver os gestores na tomada de decisão. Já os apoiadores de Alagoas apresentaram a estratégia de emponderamento das gestões públicas municipais para a construção do Plano Municipal de Saúde.