Boletim Epidemiológico aponta novos dados de HIV/Aids

27/11/2018

                                                                            Imagens do Webdoc Brasil, aqui tem SUS – Abaetetuba – PA

O novo Boletim Epidemiológico, divulgado nesta terça-feira (27/11) em Brasília, mostra redução de 16%, em casos e óbitos de Aids. A melhoria do diagnóstico e a ampliação do acesso à testagem contribuíram para a queda. Os novos dados ainda mostram que 73% das novas infecções de HIV ocorrem no sexo masculino, sendo que 70% dos casos entre homens estão na faixa de 15 a 39 anos. O Ministério da Saúde também lançou uma nova campanha publicitária lembrando os 30 anos do Dia Mundial de Luta contra a Aids.

No Boletim, observa-se um declínio na taxa de detecção de aids entre os anos de 2007 e 2017 em vários estados no Sul e Sudeste – Rio Grande do Sul (36,3%), São Paulo (24,9%), Santa Catarina (20,5%), Rio de Janeiro (20,3%), porém, destaca-se o aumento de 142,6% na taxa de detecção de Tocantins, o aumento de 68% no Amapá e Rio Grande do Norte e 55% no Pará, no mesmo período.

O vice-presidente do Conasems e presidente do COSEMS-PA, destacou em entrevista, a possibilidade de o aumento do número de detecção de casos  estar relacionado a maior oferta de testes rápidos nas regiões norte e nordeste. “Nesses últimos anos tivemos ações dos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) nas comunidades ribeirinhas, inclusive de forma itinerante, atendendo a parcela da população que antes não tinham acesso aos testes. Quando há maior oferta de testagem, consequentemente, temos um crescimento no número de detecção e isso favorece as ações da gestão do SUS”. O secretário do Ministério da Saúde, Adeilson Cavalcante, destacou, durante a coletiva, a ação dos municípios na luta contra a aids. “Essas melhorias nos índices estão ligadas ao trabalho dos municípios que são quem executam as ações. A capilaridade é essencial para o sucesso da política pública”.

O CTA itinerante já foi destaque dos web documentários Brasil, aqui tem SUS, que mostram as experiências exitosas das secretarias municipais de saúde de todas as regiões do país. O projeto Esse Rio é Minha Rua, da Secretaria Municipal de Saúde de Abaetetuba, no Pará, leva testes rápidos de HIV, Hepatite B, C e Sífilis a moradores de mais de 70 ilhas que cercam o município. A equipe de saúde, além dos testes, também oferece aconselhamentos coletivos e individuais aos ribeirinhos sobre doenças sexualmente transmissíveis e uso de preservativos.  Já o projeto Beradeiro é realizado pela Secretaria Municipal de Saúde de Porto Velho nas comunidades ribeirinhas da capital de Rondônia. O trabalho visa ofertar testes rápidos de HIV, Hepatite B, C e Sífilis aos moradores. Além disso, a equipe multidisciplinar realiza oficinas de educação em saúde com jovens das comunidades com foco na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez na adolescência.

Mais informações 

O Boletim também traz a diminuição significativa da transmissão vertical do HIV, quando o bebê é infectado durante a gestação. A taxa de detecção de HIV em bebê reduziu em 43% entre 2007 e 2017, caindo de 3,5 casos para 2 por cada 100 mil habitantes. Isso se deve ao aumento da testagem na Rege Cegonha, que contribuiu para a identificação de novos casos em gestantes.

“É a primeira vez em 20 anos que temos uma queda tão expressiva nas taxas da mortalidade”, comemora a diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais, Adele Benzaken. Ela lembra que da última vez que o país registrou quedas tão expressivas, foi entre 1996 e 1997, com a chegada da terapia tríplice, o chamado coquetel, para tratamento das pessoas que vivem com o vírus

O SUS disponibiliza teste rápidos para a detecção do vírus nas unidades de saúde do país. Em 2018, foram distribuídos 12,5 milhões de unidades. Como a detecção do vírus impacta no início precoce do tratamento, a partir de janeiro também haverá na rede pública a oferta do autoteste de HIV para populações-chave e pessoas/parceiros em uso de medicamento de pré-exposição ao vírus. No ano que vem, serão distribuídas 400 mil unidades, inicialmente como um projeto piloto nas cidades de São Paulo, Santos, Piracicaba, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e São Bernardo do Campo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte, Manaus.

O autoteste de HIV já é vendido nas farmácias privadas do país, mas os resultados não podem ser utilizados para o diagnóstico definitivo. Em caso de resultado positivo, o Ministério da Saúde orienta que o usuário busque o serviço de saúde para testes complementares. Nas caixas de autoteste de HIV, distribuído pelo SUS, haverá um número 0800 do fabricante para tirar dúvidas e dar orientações aos usuários. Este serviço funcionará 24 horas e 7 dias por semana. Além disso, o usuário pode tirar dúvidas pelo Disque Saúde 136 e no site www.aids.gov.br/autoteste.

Além da testagem, o SUS também financia o tratamento para o HIV/aids no país. Desde 2013, os medicamentos (antirretrovirais) podem ser acessados nas unidades de saúde pelos soropositivos independente da quantidade de vírus que eles apresentarem no corpo. Desde a introdução do tratamento para todos, até setembro deste ano, 585 mil pessoas com HIV/aids estavam em tratamento no país. A maioria, 87%, fazem uso do dolutegravir, um dos melhores medicamentos do mundo que está disponível gratuitamente no SUS.

Confira a nova campanha promovida pelo  Ministério da Saúde 

Acesse o Boletim Epidemiológico HIV/AIDS 2018

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Com informações da Agência Saúde